sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Uma Bíblia que “não esconde as realidades inconvenientes”

É bom que a Bíblia traduzida por Frederico Lourenço dê umas boas polémicas. Talvez leve mais gente a ler a Bíblia.

Posto isto, o título do artigo do Público de hoje despertou a minha atenção.

Uma Bíblia que “não esconde as realidades inconvenientes”

Fui ler, claro. E ele, Lourenço, diz:

Não disfarcei as frases incómodas, não limei as arestas, não escondi realidades inconvenientes.Na minha tradução lê-se ‘escravos’ e não ‘servos’ ou ‘criados’; também não disfarcei as passagens misóginas e homofóbicas de Paulo. Mas, por outro lado, as traduções existentes são desnecessariamente androcêntricas, sobretudo em passagens em que a palavra ‘homens’ significa, na realidade, ‘pessoas’. Acho que a mais-valia da minha tradução é justamente o facto de estar fora do catolicismo, mas não contra o catolicismo”. Demos um exemplo eloquente: São Jerónimo, autor da tradução latina da Bíblia que se tornaria a Vulgata aprovada pela Igreja, traduziu com a palavra peccatum uma das palavras mais comuns e importantes da liturgia, uma palavra grega que significa “erro”. E é assim que Frederico Lourenço a traduz muitas vezes (não de maneira sistemática, por razões que ele explica na Introdução). “Erro”, em vez de “pecado”, não é certamente assimilável à liturgia da Igreja Católica.


É isto? Só isto? Ler tudo aqui.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Morreu o padre Gabriele Amorth


O P.e Gabriele Amorth morreu na sexta-feira, 16, em Roma. Paz à sua alma.

Tenho de referir aqui o facto porque ele era o exorcista mais conhecido do mundo, "exorcista do Vaticano", por ser o exorcista oficial de Roma, com mais livros publicados, com mais discípulos, incluindo portugueses.

Como as coisas do diabo andaram por aqui em debates apaixonados, no tempo em que as visitas a este blogue andavam pelos milhares por dia (agora andam, julgo, pelas duas ou três dezenas), aproveitei para ler dois ou três livros do P.e Amorth.

Ele via o diabo em tudo e acreditava, por exemplo, que pregos que apareciam por baixo de almofadas eram ação do diabo ("materializações"), que o diabo provocava cancros e outras coisas do género. De maneira que não cheguei a concluir se o trabalho do P.e Amorth foi globalmente positivo por dar tanto espaço ao diabo que levava as pessoas a não acreditar nele (o diabo), como que por paradoxo. Tipo: "Se o diabo faz e é aquilo que o P.e Gabriele diz, é óbvio que não existe, não pode ser levado a sério". Ou se foi globalmente negativo por fazer do diabo um fantasma omnipresente que pode, mesmo que não exista (como é a minha convicção), provocar efeitos nefastos sobre pessoas mais fragilizadas.

domingo, 18 de setembro de 2016

Duas de David Lodge


Um fim de semana com duas entrevistas de David Lodge para ler nunca pode ser mau. Uma é no Observador (lida ontem), outra é no público (a ler em papel lá pelo fim da tarde, que hoje é dia de trabalho).


Da do Observador retiro isto:

Era um católico praticante, como viveu tudo isso?
Fui um católico fiel por muito tempo, casei-me com uma católica. Mas éramos católicos liberais e tivemos a nossa revolução contra a Igreja Católica. Queríamos libertar o catolicismo, opúnhamo-nos à proibição – ridícula — da contracepção. Foram as nossas causas dos anos 60 e 70 e, de certa forma, foram bastante interessantes e enriquecedoras. Mas, gradualmente, perdi a fé. Continuei a ser praticante, ia à missa por motivos familiares, mas deixei de me confessar. Deixei de aceitar a doutrina. E acabei por deixar de ir à missa. Fico em casa e leio livros de filosofia, religião e história eclesiástica. Já não sou um católico praticante.



Aqui a do Público.

David Lodge neste blogue.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O lado espiritual de Máximo Ferreira


Máximo Ferreira (quem não despertou para a astronomia lendo as suas crónicas no "Público" na década de 90?) no final de uma entrevista do DN de hoje:

Falou em fé. Tem fé em Deus? Há muitos cientistas que acreditam?


Não. Devo confessar que por volta dos 17 anos fui quase ateu, mas depois, sem nenhum esforço, tornei-me simplesmente agnóstico. É uma questão que não tem que ver propriamente com a ciência. Há cientistas que se sentem bem com essa componente espiritual. Não tantos assim, mas há alguns. Há um indivíduo que é professor catedrático na Faculdade de Ciências, agora já jubilado, que é padre e ensinava Física Nuclear. Saía da faculdade no Príncipe Real e ia à Igreja de São Mamede dizer a missa. Não podemos é querer usar isso como argumento e dizer se aquele cientista acredita em Deus é porque Deus existe, ou o contrário. O lado espiritual está dentro da pessoa, pode contribuir para o seu bem-estar, não vejo mal. Agora, não preciso de Deus para as minhas coisas.


Nota: Julgo que se refere ao P.e João Resina, que morreu há uns anos (mais que jubilado, portanto). Mas se houver outro padre, prof. de Física numa universidade de Lisboa, que me emendem, p.f.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Editora Verbo e a Igreja portuguesa

A importância da Verbo, quer se goste quer não se goste do estilo, nunca poderá ser menorizada. Dizia um padre, no tempo de maior pujança da editora, que os grandes órgãos de comunicação da Igreja eram a Universidade Católica, a Rádio Renascença e a Verbo, com a particularidade de a Verbo não pertencer à Igreja. E, de facto, em tempos de sanha revolucionária, de PREC e de purgas, a Verbo funcionou como única hipótese de direito ao contraditório dos vencidos.

Lido aqui.

Fernando Guedes e o Verbo

Morreu Fernando Guedes. O nome não me dizia nada até perceber que era o fundador da Verbo (e afinal já lera páginas dele sobre a história da edição em Portugal). Deu-nos livros como a "Apologia", de Henry Newman, ou os "Ensaios ecuménicos", de Yves Congar. E os "Diálogos sobre a Fé", de Ratzinger. Só por estas três obras (todas referidas diversas vezes ao longo deste blogue), já teria feito muito pela cultura católica em Portugal. E por mim. Evidentemente, Verbo tem conotações teológicas.

domingo, 28 de agosto de 2016

O céu somos nós

Lido no Público de hoje:

(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Papa fictícios

No romance "Lázaro", de Morris West, o Papa Leão XIV sucede a Gregório XVI, que tinha sucedido a Cirilo I. Alguém conhece outros papas fictícios, da literatura (além do Celestino VI)?

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Os católicos O'Neill

Lendo sem método nem objetivos a biografia literária de Alexandre O'Neill (quase todos os adolescentes nos anos 80 tiveram uma fase o'neillista), de Maria Antónia Oliveira, vejo que o poeta ateu era descendente de uma família católica irlandesa que fugiu para Portugal, no séc. XVIII, por causa das perseguições contra católicos no Ulster. O'Neill morreu há 30 anos, a 21 de agosto de 1986. E é por isso que estou a ler, com gosto, a biografia.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

50 anos da morte de Louis Lebret, op


O padre Louis-Joseph Lebret, que muito influenciou a encíclica paulina "Populorum progressio", morreu no dia 20 de julho de 1966, há meio século, portanto. O Osservatore Romano publicou há dias um artigo sobre este padre dominicano que muito influenciou a Doutrina Social da Igreja. Em português, pode ser lido aqui.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

João Miguel Tavares: Ser cristão não serve para nada?

João Miguel Tavares no Público de 20 de agosto:

Inúmeros leitores agnósticos e ateus ficaram ofendidos com as minhas palavras. Essa ofensa tem um duplo efeito sobre mim: chateia-me e entristece-me, porque me parece pura e simplesmente absurda. Vamos por partes. Em primeiro lugar, a questão dos Evangelhos. Eu não conheço todos os livros sapienciais do planeta, mas dentro daquilo que é a literatura ocidental ou a tradição dos monoteísmos não estou a ver que outro livro trate o amor ao próximo e a empatia de forma mais radical do que os Evangelhos. Isto só é uma opinião original para quem nunca leu a Bíblia. Não percebo porque é que um ateu não pode ler os Evangelhos com a mesma abertura intelectual com que lê Hamlet. Eu preciso de provar a existência do crânio de Yorick para apreciar as palavras de Shakespeare? Então para quê viver obcecado com a adesão à realidade dos conteúdos da Bíblia? Esqueça-se a existência de Deus e aprecie-se a literatura. Não é preciso acreditar na ressurreição para admitir que a empatia se encontra retratada nos Evangelhos como em nenhum outro lugar.

É ler tudo aqui.

domingo, 21 de agosto de 2016

A falta que os pastores fazem a Portugal

Antes da minha prova eu tinha conversado com meu pastor e ele falou: "Seu Deus vai deixar você ser campeão". Aí, tentei e deu certo.

Thiago Braz, medalha de ouro no salto à vara, Rio 2016

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...