quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

31 de janeiro de 1949. Descobre-se o túmulo de São Pedro


No dia 31 de janeiro de 1949 Pio XII anunciou a descoberta do túmulo de São Pedro, no Vaticano, por baixo do baldaquino de Bernini. As pesquisas tinham-se iniciado na década de 1930 com Bruno Maria Apollonj-Ghetti, P.e Antonio Ferrua, S.J., Enrico Josi e Pe. Engelbert Kirschbaum, S.J., todos sob a direção de D. Ludwig Kaas, secretário da Insigne Fábrica de São Pedro.

O que disseram no debate do Opus Dei

O que disseram no debate sobre o Opus Dei, conforme saiu no DN de terça-feira, 29 de janeiro.

Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera



Para todas as árvores que não aguentaram o temporal

Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera
Uma árvore é um leque chinês gigante
Uma árvore é um grande mensageiro de Deus
Uma árvore é filha da Mãe Natureza

Árvores de morangos!
Árvores de xarope de bordo!

Uma árvore é um infantário para os passarinhos
A árvore é um dador de ar
Uma árvore é um leitor de nuvens.

            Macieiras!
Cerejeiras!

Uma árvore é a peruca de Deus.
Uma árvore esconde uma bela história.

            Coqueiros!
Palmeiras!

Uma árvore é a casa de banho de um cão.
Arranha o céu!
No meio de nenhures.
Rodeada de animais maus
Uma árvore é o coro de um anjo.

Árvores vermelhas!
Árvores verdes!

Uma árvore conta a Deus os suspiros da terra.
Uma árvore é sofrimento no deserto.
Uma árvore é um antigo e sensato contador de sensatez.
Uma árvore é uma árvore.



Poema retirado de “Eu sou um lápis”, de Sam Swope (ed. Sinais de Fogo). O texto foi escrito pela menina Maya, do ensino básico, nas aulas de escrita criativa que o escritor Sam Swope deu num bairro multicultural de Nova Iorque.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

António, um rapaz de Lisboa, Sr. De Botton


Maxilar inferior de Santo António, em Pádua

No cada vez mais útil “Religião para ateus”, leio pelas páginas 125 e seguintes uma espécie de elogio às pregações cristãs. Aos sermões. Se só tivesse lido estas páginas, seria tentado a descobrir uma fina ironia nas palavras de de Botton. Mas não creio que seja o caso, ainda que ele esteja errado se presumir que os católicos, mesmos os convictos, por exemplo, rezem sete vezes por dia e às 10 da noite entoem o “Nunc dimittis”.

Mas está errado, na realidade, quanto a um facto da vida de António de Lisboa. Diz o filósofo que raramente acontece aos professores universitários o que aconteceu a Santo António (na aulas universitárias, adormece-se): ser “amarrado a uma mesa depois de falecer para lhe ser cortada a garganta e removidos o maxilar inferior, a laringe, a língua, subsequentemente montados numa caixa de ouro com pedras preciosas incrustadas a expor no centro de um santuário dedicado à memória dos seus dons oratórios”. Até aqui, tudo bem, ainda que entre o falecimento e o corte tenha passado mais de 30 anos. Mas depois escreve: “Foi precisamente este o destino de Santo António de Pádua, o frade franciscano do séc. XIII que acedeu à santidade devido ao seu talento e energia excecionais para falar em público, e cujo aparelho vocal, em exposição da basílica da sua cidade natal, ainda atrai peregrinos admiradores de todos os cantos do mundo cristão”.

Refere-se, claro, à Basílica de Santo António de Pádua. Mas a cidade natal de António é Lisboa.

Tua

Sou tua, porque me criaste,
Tua, porque me redimiste,
Tua, porque me sustentaste,
Tua, porque me chamaste,
Tua, porque me atendeste,
Tua, porque não me perdi.

Teresa de Ávila (1515-1582)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Debate sobre o Opus Dei, ontem, na sede do DN



Debate sobre o Opus Dei, ontem, na sede do DN.

Também tu, gaivota?


Notícia do "Correio da Manhã" de hoje. No ano passado, as pombas não queriam sair de ao pé do Papa. Este ano, uma delas foi atacada por um gaivota. É difícil simbolizar a paz. Ou será mais um ataque a Bento XVI?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Marxistas tendência Ratzinger


No "Correio da Manhã" de sexta-feira.

Bento Domingues: "Ano da fé. Um decreto, para quê? (3)"

Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem.


1. No passado domingo, referi alguns dos movimentos que, durante a primeira metade do século XX, não aceitaram um destino previsível: a uma religião exterior ao tecer do mundo, sucederia um mundo fechado a qualquer transcendência.

Esses movimentos recusaram as alianças da Igreja com os poderes de dominação que a divorciavam de Cristo, dos pobres, do mundo operário e dos novos percursos culturais de surpreendentes e estranhas linguagens filosóficas, científicas, poéticas, musicais, artísticas. Eles desejavam-na mais leve, mais disponível, sem fixações doutrinais ou rituais que a impedissem de caminhar no interior misterioso de Deus e do mundo. Para ser fiel à sua condição de peregrina do Absoluto, bastavam-lhe provisórios recursos de viagem.
Com erros e acertos, procuravam que a Igreja fosse vivida e entendida, na diversidade de carismas e serviços do povo cristão, como voz de Cristo num mundo dilacerado por duas terríveis guerras mundiais. A repressão exercida sobre as expressões dos mais audazes criou uma atmosfera irrespirável, em vários sectores católicos. Perdia-se a esperança de que ela se tornasse um espaço de liberdade. Temos muitas narrativas dessa situação.

2. João XXIII, com os olhos postos nesse mundo em transformação, apostou no aggiornamento da Igreja. Este termo, usado para expressar uma das intenções fundamentais do Vaticano II, é muito mais do que uma operação de marketing ou um truque, como se este Papa procurasse uma imagem modernaça para um catolicismo envelhecido. Entretanto, já circulava outra expressão de sinal oposto, "voltar às fontes". Acabaram ambas conjugadas com os enigmáticos "sinais dos tempos". A aproximação destas metáforas é um bom caminho para perceber a importância incontornável da iniciativa deste Concílio, sem cair na sua sacralização.

Palestras versus sermões


Como conseguimos viver juntos? Como toleramos as falhas dos outros? Como podemos aceitar as nossas limitações e mitigar a nossa ira? (...) A diferença entre a educação cristã e a educação secular revela-se com especial clareza nos seus respetivos modos característicos de instrução: a educação secular faz palestras, o cristianismo sermões.

Alain de Botton, "Religião para ateus" (D. Quixote), pág. 115



domingo, 27 de janeiro de 2013

Sansão e Lance Armstrong


Cultura clássica e de massas, incluindo a Bíblia. Início do texto de José Diogo Quintela deste domingo (“Quem diria que para ganhar 7 voltas é preciso ajuda? Incrível!”, na "2"):
Aquiles era filho de uma divindade e o seu equipamento foi forjado pelo próprio Hefesto. Sansão era protegido do Senhor e o seu nascimento foi anunciado por um anjo. Hércules era só filho de Zeus. O Super-Homem vem de um planeta em que são todos mais fortes que os terráqueos. O Homem- Aranha foi mordido por uma aranha radioactiva. Batoteiros? Não, heróis.
 

Opus Dei no "Diário de Notícias"


O DN começa hoje uma investigação sobre o Opus Dei. E começa muito mal, quando a primeira coisa que se diz, pelo menos on-line, é que é "conhecida como «maçonaria branca»". Espero que o jornal esclareça se é ou não tal coisa. On-line pode-se ler o início de cinco artigos.

Bento Domingues: "Ano da fé. Um decreto, para quê? (3)"


Do texto de Bento Domingues no "Público" de hoje (amanhã poderá lê-lo aqui na íntegra; entretanto, se comprar o jornal, surpreender-se-á com a quantidade de informação relevante):

Diante dos gravíssimos problemas actuais da sociedade e da Igreja, nota-se um tal retraimento e timidez, que é legítimo perguntar: não estarão as comunidades cristãs a serem vítimas de um longo período no qual a sua voz não contou para nada? Quando, agora, nos interrogamos sobre a sua falta de empenhamento militante, talvez esqueçamos uma resposta antiga: ninguém nos convocou, ninguém quis ouvir a nossa voz, compartilhar as nossas dúvidas e interrogações, tomar a sério a nossa situação pouco canónica e pouco alinhada com a opinião dominante. Deixaram-nos em autogestão...
E explica o sentido da expressão "naquele tempo", com que habitualmente os evangelhos dominicais começam, que não é "inocente nem passadista".

sábado, 26 de janeiro de 2013

Anselmo Borges: "A infância de Jesus segundo Ratzinger/Bento XVI"


Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.


A história verdadeira e toda lê-se do fim para o princípio. Antes, apenas há sinais, pois o processo de fazer-se está ainda em aberto. Aí está a razão por que nunca podemos dizer de modo cabal o que foi a vida de um ser humano, já que não sabemos como morreu, o que foi a sua morte, o seu fim.

Um bom exemplo disto é Jesus. Muitos o seguiram, convocados pelo que dizia e fazia, pela sua mensagem em palavras e obras, pela sua pessoa. Seria ele o Messias? Depois da crucifixão, fazendo o cômputo todo da sua existência, incluindo o modo como morreu - para dar testemunho do amor e da verdade do que moveu a sua vida: Deus que é amor -, os discípulos acreditaram que ele está vivo em Deus e confessaram a sua fé viva nele como o Messias, Filho de Deus, o Salvador, aquele que revelou de modo definitivo e insuperável quem é Deus, cuja causa é a causa dos homens e das mulheres.

Foi a partir dessa fé que leram retrospectivamente a sua vida histórica, real, situada num tempo concreto, sob o domínio de Herodes e no quadro do Império Romano. Trata-se de uma história real, mas lida e interpretada com o olhar da fé. Esta leitura interpretada teologicamente é particularmente visível nos relatos da infância, que só aparecem nos Evangelhos de Mateus e Lucas, utilizando um género literário próprio, o midraxe, que não quer narrar factos, mas ler teologicamente: neste caso, projectando sobre o princípio o que já sabem no fim: em Jesus, cumpriram-se as promessas.

Infelizmente, do livro de Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré. A infância de Jesus, publicado pouco antes do Natal, para os media pouco mais restou do que a não existência do burro e da vaca. De qualquer modo, o próprio Papa preveniu, no primeiro volume da sua obra sobre Jesus, que, não escrevendo enquanto Papa, ficava sujeito à crítica. Ora, é precisamente o que faz a maior parte dos exegetas e historiadores, considerando que não teve na devida consideração o género literário próprio dos relatos da infância.

Alguns exemplos. Ao contrário do que afirma J. Ratzinger - "Maria é um novo começo, o seu filho não provém de um homem" -, nada parece indicar que o Novo Testamento refira a virgindade. O que se pretende afirmar é que Jesus está vinculado a David pelo lado do pai, José, e é Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. Portanto, o que aqui se encontra não é uma concepção e nascimento virginais, mas a tomada de consciência do mistério do seu nascimento, de todo o nascimento. Como escreve o jesuíta Juan Masiá, "a nova vida é gerada por obra dos pais e pela graça da Palavra criadora. Por isso, é procriação: obra humana e divina. Pode dizer-se, em teologia cristã, que Maria e José geram Jesus, que é fruto da sua união como eu da dos meus pais; e, ao mesmo tempo, que essa criatura é fruto da acção criadora do Espírito. Esse nascimento transforma-se em símbolo iluminador do que acontece em todo o nascimento; não é um dar à luz excepcional sem participação de varão, mas o símbolo que recorda que todo o nascimento é, ao mesmo tempo, obra dos progenitores e graça do Espírito de vida".

Assim também, embora, muito provavelmente, Jesus tenha nascido em Nazaré, aparece como nascendo em Belém. Trata-se de mostrar, em conexão com David, que ele é o verdadeiro Messias e rei, mas no quadro de uma realeza diferente.

Não tem sentido nenhum perguntar aos astrónomos pela estrela aparecida aos magos. Estes são sábios que procuram a verdade. Jesus nasceu para todos os que procuram a verdade e, como mostra a presença dos pastores, gente pobre e marginalizada, ele está, em primeiro lugar, ao lado dos mais pobres e marginalizados. E há sempre uma estrela que guia quem busca a luz e a verdade. Se, mais tarde, a Igreja colocou a data do seu nascimento no dia 25 de Dezembro, no solstício de Inverno, isso deve-se à conexão com a festa do Sol Invicto.

Se Jesus aparece perseguido por Herodes, a caminho do Egipto, é porque participa na sorte de Moisés, também ele liberto da morte e libertando o seu povo no Êxodo. Jesus é o verdadeiro Moisés, Libertador da Humanidade.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Pecado original segundo Alain de Botton


Não é difícil acreditar no pecado original. Para quem é crente, o pecado está demasiado patente para não nos marcar até para lá da medula. O difícil é acreditar na roupagem do pecado original, incluindo as frases do catecismo. E o nome, que remete para a origem.

Lembrei-me disto ao ler uma passagem de "Religião para ateus", de Alain de Botton, livro muito aconselhável, a bispos, padres, seminaristas e gente empenhada na Igreja de uma forma geral. Diz ele a certo ponto (pág. 112) sem falar de "pecado original":
"(...) O cristianismo (...) tem um conceito inteiramente diferente da natureza humana. (...)Acredita que, no fundo, somos criaturas desesperadas, frágeis, vulneráveis e pecadoras, muito menos sábias do que bem informadas, sempre à beira da ansiedade, torturadas pelas nossas relações, com pavor da morte - e, acima de tudo, com necessidade de Deus".

Fé, seitas e crise, na "Visão"

Na "Visão" de ontem, uma reportagem de sete páginas (deixo aqui a primeira) sobre fé, seitas e crise. "Quem estiver sem emprego ou com dificuldade no negócio, venha cá à frente que eu quero orar por vocês".









Combate

Nos EUA, as mulheres podem combater. Acabaram as restriões para as mulheres "in the army". Espero que um dia também na Igreja Católica possam dizer, em qualquer função: "Combati o bom combate". Lamento que a Igreja não vá à frente neste assunto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fé, seitas e crise. Pastoral da prosperidade


Na "Visão" de hoje, uma reportagem de sete páginas (deixo aqui a primeira) sobre fé, seitas e crise. "Quem estiver sem emprego ou com dificuldade no negócio, venha cá à frente que eu quero orar por vocês".

Férias grandes do Abbé Pierre


Vivi desde sempre na impaciência da morte. Na minha fé, creio que a morte é uma separação dolorosa para os que ficam mas, para quem parte, é um encontro fantástico: com  uma imensidão de Deus; com a multidão, talvez com cem mil milhões de seres humanos que viveram desde que o homem existe.Tal encontro exalta-me. É uma sede de sol e de água cristalina... Para mim serão as minhas férias frandes.

Abbé Pierre em 1994


Desde as últimas férias grandes tenho posto aqui, quase diariamente, uma frase ou um pequeno texto de Abbé Pierre. Comecei após o dia 5 de agosto, quando reparei que o centenário do nascimento deste padre (05-08-1912 - 22-01-2007) passou praticamente despercebido. Até percebo porquê. Se ele foi incómodo para alguém, foi-o principalmente para os poderes públicos e para os poderes eclesiais.

Foi um dom ter lido o que disse e escreveu em "Testamento" (Círculo de Leitores) e "As quatro verdades" (Editorial Notícias), os dois livros de onde copiei as frases. Hoje mesmo espero ler a entrevista que António Marujo lhe fez no dia 5 de julho de 1995 ("Deus vem a público", págs. 292-298). Talvez para aqui copie uma ou duas frases para terminar a minha evocação do Abbé Pierre, uns dias depois da data do aniversário da sua morte.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Congar: "Felizmente, há Ratzinger"


Yves Congar (1904-1995) não é só um dos maiores teólogos do séc. XX (na minha opinião, faz parte de um trio de primeiríssimos que, já que estamos na semana do ecumenismo, inclui três confissões cristãs: os dominicanos, os jesuítas e os reformados). É capaz de ser também o mais linguarudo. E isso é bom para quem gosta de perceber como as coisas funcionavam, porque a língua de Congar deu para deixar tudo escrito nos diários. A diarística é sem dúvida uma boa forma de sublimar a língua comprida que todos temos.

Congar começou a escrever diários praticamente no berço. Quer dizer aos 10 anos, pelo menos. E já então escrevia que os alemães são “os boches os canalhas os ladrões os assassinos os incendiários” (falei disso aqui). Mas tarde diria bem de um alemão em concreto.

No tempo do Concílio, como é sabido, escreveu um diário que é bem capaz de ser mais útil para compreender o que se passou no Vaticano entre 1962-65 do que as atas do concílio (desconfio, já que, quanto às atas, só as vi encaixotadas, por encadernar, à porta de uma biblioteca eclesiástica).

No dia 31 de março de 1965, sobre o grupo que estava a redigir o decreto “Ad gentes” (sobre a Igreja e as missões), escreveu:

- "o padre Seaumois é realmente um burro", com a sua "bagagem de ideias e as suas respostas já prontas";
- Dom Yago "não diz nada e parece se aborrecer muito";
- Dom Perrin "quase não acompanha e não é de nenhuma ajuda";
- "Felizmente, há Ratzinger. É razoável, modesto, desinteressado, de boa ajuda" (li aqui).

Ainda as bíblias de Obama


Bíblias de Obama. Juramento de Obama no dia 21 de janeiro. Por cima, a Bíblia de Abraham Lincoln. Por baixo, a de Luther King. O pregador da igualdade deu-lhe mais uso do que o presidente abolicionista.

Marca de Deus

Para mim, Deus fez o homem à sua imagem. É como cera sobra a qual imprimiu uma marca. A marca, nunca a veremos, mas se estiver atento, conheço-a perfeitamente: um vazio, por tudo o que me falta.

Abbé Pierre, 1993

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Papa só dá o privilégio do branco a algumas

Na "Flash" de há dias. Se é como diz a notícia, e não há motivos para pensar que não, não nos cansamos de surpreender com os protocolos vaticânicos.

Agora compreendo o que dizia um antigo colega de trabalho dado aos grafismos: "Branco, branco, isto precisa de mais branco". 

Que significado tem ser feliz sem os outros?

Para estarmos seguros de não ter falhado a nossa vida, bastam três coisas: em primeiro lugar, ver de que sofrem os outros; depois, porque sofrem os outros, e após tal olhar corajoso, saber ouvir o silêncio. O silêncio que pode fazer nascer em nós o pensamento: que significado tem ser feliz sem os outros?

Abbé Pierre em 1987. Este padre morreu faz hoje seis anos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

21 de janeiro de 1525. Perto de Zurique funda-se a primeira igreja anabatista


Queima de anabatistas em Amesterdão

Os anabatistas foram os radicais e derrotados da Reforma Protestante. A primeira igreja destes defensores da adesão consciente a Cristo – daí o batismo somente na idade adulta e rebatismo dos que tinham sido batizados em criança; “ana-batista” tem o sentido de batizado de novo – foi criada perto de Zurique no dia 21 de janeiro de 1525.

Os anabatistas foram perseguidos pelos católicos e protestantes e massacrados na Guerra dos Camponeses. Quase desapareceram, mas deram origem aos menonitas e influenciaram os quakers, que são pacifistas e profundamente democráticos. Os amish também se reclamam dos anabatistas.

Bíblias da tomada de posse de Obama


Bíblia de Abraão Lincoln

Bíblia da família de Michelle
Ontem Obama fez um primeiro juramento sobre a Bíblia. Em privado. As tomadas de posse dos presidentes dos EUA são sempre a 20 de janeiro. Usou a Bíblia da família da sua mulher.

Bíblias de Lincoln e Martin Luther King
Hoje, Obama, para o povo, jura sobre a Bíblia que Lincoln usou em 1861 (na posse da Biblioteca do Congresso) e a de Martin Luther King (pertence ao filho, Martin Luther King III).

Bíblia Celta 
Joe Biden, descendente da emigrantes irlandeses, por seu lado, jurará (está a jurar neste momento, sobre uma Bíblia pesadíssima) sobre a Bíblia que já usou em 2009, uma Bíblia que está na família desde 1893. Dizem que tem uma cruz celta na capa.


Bíblia da família de Joe Biden

Engano

Globalmente, estou certo de não me ter enganado. Quando se estende a mão à miséria, não nos podemos enganar.

Abbé Pierre, 1995

Bento Domingues: "Ano da fé. Um decreto, para quê? (2)"

Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem:

1. Em 1953, numa curta viagem de camioneta, sentou-se ao meu lado um padre de outra congregação religiosa. Sobre as características e as imagens de marca das invocadas na conversa adiantou: "Em humildade ninguém nos supera." Não estava a fazer humor. Fiquei tão alérgico ao elogio da humildade como às disputas entre arrogantes. Nada, no entanto, mais inspirador do que uma pessoa humilde.

Esteve, em Portugal, frei Bruno Cadoré. Nasceu em 1954, formou-se em Medicina, entrou nos dominicanos, foi director do Centro de Ética Médica do Instituto Católico de Lille e, depois de ter sido provincial em França, foi eleito, em 2010, mestre geral da Ordem.

Não interessa explicitar aqui o que foi o seu brilhante e inspirador percurso profissional e dominicano, pois ele próprio nunca se lhe refere. É como se não tivesse existido.
Fr. Bruno Cadoré

Veio para visitar a família dominicana portuguesa, na diversidade dos seus ramos, e revelou um estilo que não é muito habitual nos eclesiásticos.

Na primeira reunião com a comunidade a que pertenço, procurou ouvir-nos acerca da situação da Igreja em Portugal, da diocese em que estamos inseridos, do papel das ordens e congregações religiosas, masculinas e femininas, segundo o carisma de cada uma. Passou, depois, ao encontro fraterno, com cada um, individualmente, não para falar, mas para escutar. Durante meia hora ouviu-me, sem dizer uma palavra, despediu-se, sem me fazer qualquer recomendação. É evidente que debateu, com os órgãos das instituições da Província Dominicana Portuguesa, as questões com que ela está confrontada. Fez também a visita às monjas dominicanas, fundadas, no século XIII, por S. Domingos. Ainda antes do ramo masculino, eram elas a Santa Pregação. Encontrou-se também com as outras religiosas e com os leigos dominicanos.

Se Cristo veio, não para condenar, mas para manifestar o amor de Deus pelo mundo, como se poderá chamar evangelização, nova ou antiga, às obras, palavras e atitudes que não sejam escuta humilde dessa amizade divina?

O método de Frei Bruno - muito ouvir antes de falar - foi praticado e exposto na Paróquia de S. Domingos de Benfica, ao apresentar a tradução da obra clássica sobre A Pregação, de Humberto de Romans, e as Actas do Colóquio sobre a Restauração da Província Dominicana em Portugal.

2. É antiga a convicção de que o silêncio é o pai dos pregadores e que a graça da pregação é secundada pelo estudo e pela contemplação. A fórmula dominicana foi cunhada muito cedo e já fazia parte do ensino de Tomás de Aquino:contemplar e dar testemunho da realidade contemplada. Era, desde a antiguidade, conhecida e exaltada a superioridade da vida contemplativa em relação à vida activa. Em benefício da sua própria causa, o santo doutor observou: a vida activa, que nasce da abundância da contemplação, vale mais do que a pura contemplação. Iluminar é melhor do que ser, apenas, luz. Foi este, aliás, o estilo da vida escolhida por Jesus.

A resposta é brilhante. Na prática, continuava a rivalidade entre o tempo consagrado ao principal e o tempo gasto com realidades temporais, inferiores. O tempo gasto na actividade esvaziava os ganhos da contemplação. A oração de S. Domingos, testemunhada pelos seus contemporâneos, estava sempre povoada pelas alegrias e tristezas do quotidiano. O trabalho apostólico não o dispersava nem o esvaziava.

Na sua conferência, frei Bruno Cadoré saltou fora do esquema de falsas oposições. A fonte e o alimento da contemplação não se restringem ao quadro conventual ou às celebrações litúrgicas. A Igreja - e nela o dominicano - não se pode apresentar ao povo cristão, aos membros das outras religiões, aos agnósticos e aos ateus como quem está na posse da verdade, dos bons princípios, dos bons caminhos e das boas soluções. Essa arrogância impede o caminho humilde da escuta, do estudo e do diálogo com todos os mundos em que se encontra, ou aos quais se dirige: a bondade e a verdade, servidas ou traídas, estão disseminadas em todos os estilos de vida e em todas as dimensões da existência. A Igreja, sem crescer e amadurecer nesse convívio, não pode partilhar nada, está fora de jogo. Esquece que Deus se insinua, de muitos modos, na vida das pessoas, expressa na diversidade de problemáticas e linguagens das sociedades, nas suas diferentes épocas e culturas. Os processos não são lineares e nunca nada está garantido.

3. Em vários países, sob o ponto de vista cristão, o século XX foi prodigiosamente fecundo, apesar de duas guerras mundiais. Basta pensar nos movimentos bíblico, litúrgico, missionário, ecuménico, social, na redescoberta da teologia patrística e medieval, nos novos modelos e paradigmas de teologia - das realidades terrestres, do trabalho, da matéria, da evolução, da conjugalidade -, assim como nas formas de evangelização da pura presença, nos meios mais afastados das instituições da Igreja. Foi uma história exaltante de muitas esperanças e desilusões continuadas, pela repressão que se abateu sobre vários destes movimentos.

O Vaticano II, iniciativa de um papa que tinha os olhos postos no mundo em transformação e no aggiornamento da Igreja, recuperou e alargou a geografia da esperança.

Como e porquê se perdeu este impulso?

domingo, 20 de janeiro de 2013

Bento Domingues e os campeões da humildade

Bento Domingues, no "Público" de hoje, fala principalmente da visita do mestre geral dos dominicanos, o francês Bruno Cadoré, aos dominicanos portugueses.

Começa com uma nota de humor para a seguir falar da "pessoa humilde" e inspiradora que é Fr. Cadoré:
Em 1953, numa curta viagem de camioneta, sentou-se ao meu lado um padre de outra congregação religiosa. Sobre as características e as imagens de marca invocadas na conversa adiantou: "Em humildade ninguém bos supera". Não estava a fazer humor.
Esta história faz lembrar uma outra, contada por Timothy Radcliffe, que também já foi mestre geral dos dominicanos. Pode lê-la aqui.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Anselmo Borges: "A regra de ouro e a empatia"


Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (tirado daqui):

Na Inglaterra, foi de tal modo valorizada que aí recebeu, nos inícios do século XVII, o nome por que é conhecida: "regra de ouro" (golden rule), com duas formulações, uma negativa: "não faças aos outros o que não quererias que te fizessem a ti", e outra positiva: "trata os outros como quererias ser tratado". Frédéric Lenoir faz, com razão, notar que a maior parte dos moralistas prefere a versão negativa, pois o perigo de auto-projecção sobre os outros pode levar a esquecer que cada um tem os seus gostos e a sua própria visão do que é bem. Neste quadro, Bernard Shaw escreveu com o seu sentido de humor: "Não façais aos outros o que quereríeis que vos fizessem; talvez não tenham os mesmos gostos que vós!"

É uma regra tão universal que o filósofo R.-P. Droit perguntava recentemente no Le Monde: "Existem regras morais presentes em todos os tempos e lugares, seja qual for a cultura ou a época? Isso é posto em dúvida a maior parte das vezes. No entanto, há uma excepção notável face ao relativismo generalizado." E apontava precisamente a regra de ouro.

De facto, ela encontra-se em todas as áreas culturais e religiosas do mundo. Apresentam-se exemplos, segundo Olivier du Roy, que acaba de publicar: La règle d'or. Histoire d'une maxime universelle.

Óculos

A leitura que fazemos da vida de Jesus está muito condicionada pela perspetiva da morte e ressurreição e pela interpretação dogmática que se impôs no séc. IV.

Juan Antonio Estrada na pág. 131 de "Quem foi, quem é Jesus Cristo?" (ed. Gradiva)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Da feminilidade da economia portuguesa


Mais uma que nos fizeram Lutero e Calvino. Ou antes, não fizeram. Artigo de Pedro Arroja no "Vida Económica". A economia portuguesa é feminina por causa da sua matriz católica, diz o gestor.

Não sei se este Pedro Arroja é o mesmo que lia em meados dos anos noventa no DN. Na altura, apreciava q.b. as suas opiniões liberais e heterodoxas. Agora parece que alinha por um catolicismo muito típico de certos meios (à falta da expressão adequada, escrevo "certos meios").

Este Pedro é o mesmo que no blogue "Portugal Contemporâneo" escreve:
Na minha opinião, um dos pilares centrais da tradição portuguesa e católica que vai ter de ser reposto é o ensino diferenciado entre rapazes e raparigas, pelo menos até à adolescência.

Numa cultura feminina como é a nossa, o ensino misto feminiliza os rapazes. Na cultura protestante, que é masculina, é ao contrário, o ensino misto masculiniza as raparigas.

Na nossa cultura feminina, quando se põem rapazes e raparigas, homens e mulheres, sob o mesmo tecto, mais cedo ou mais tarde as mulheres controlam e dominam o ambiente. O ensino misto em Portugal é um ónus sobretudo para os rapazes, tolhe o desenvolvimento da sua masculinidade.

Em Inglaterra, 80% das melhores escolas são escolas diferenciadas. E, sendo assim no estrangeiro, pode estar certo que aquilo que eu disse é verdade. O ensino misto em Portugal feminiliza os rapazes.
Está aqui uma das razões por que o Joaquim acha os jovens de hoje tão passivos (aqui).
E agora já se compreende mais o conteúdo da expressão "certos meios".

Clooney do Vaticano

Do "Público" de ontem.

Aborrecimento

Não tenho, em oitenta e dois anos, nenhuma recordação de ter estado alguma vez aborrecido, exceto em reuniões mundanas ou diplomáticas, onde tive a impressão de que nada era sincero, nada era verdadeiro... Nunca.

Abbé Pierre, 1995

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Alguém que traduza e publique: "De la salvación a un proyecto con sentido. Por una Cristología actual", de Juan Antonio Estrada



“Jesus não foi um super-homem, mas alguém que assumiu plenamente a constituição humana”, diz Juan Antonio Estrada a propósito do seu novo livro.

Desconfio que alguns ficarão surpreendidos por Jesus não ter sido um super-homem, logo, não ter tido superpoderes. Não saber tudo. Não poder tudo. Não ver tudo. E ser Filho de Deus, o Baixíssimo.

O livro tem como título "De la salvación a un proyecto con sentido. Por una Cristología actual". 416 páginas que gostava de ver em português. Índice e introdução (29 páginas) aqui em PDF.

Uma nota pessoal: Juan Antonio Estrada, jesuíta, esteve no colóquio Igreja em Diálogo, sobre Jesus Cristo, realizado em Valadares, em outubro de 2011. Na altura, agradeci-lhe ter escrito um dos livros sobre Jesus que mais me marcou, “El Proyecto de Jesus” (Ediciones Sígueme), em co-autoria com Jose M. Castillo, que também esteve em Valadares.

Mas não sobre a minha pessoa

Digam aos que vos enviam que me comprometo a não levantar objeção alguma se quiserem depor a Legião de Honra sobre o meu caixão.

Abbé Pierre em 1992

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Ser belo não é pecado", diz o secretário do Papa. E ser feio?


Do "Público" online (aqui):

Quem pensava que uma figura da Igreja não podia ser capa de uma revista mundana, engana-se. Que o diga a edição italiana da revista Vanity Fair que chega às bancas esta quarta-feira com uma figura minimamente surpreendente na primeira página: Georg Ganswein, o secretário pessoal do Papa.


Fermentação

Somos uma força de fermentação da consciência cívica.


Abbé Pierre. Sobre o movimento Emaús. Aplicável a qualquer obra católica.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

15 de Janeiro de 1929. Nasce Martin Luther King




Luther King nasceu em Atlanta, no dia 15 de janeiro de 1929, e morreu em Memphis, assassinado, no dia 4 de abril de 1968.

A este pastor protestante e ativista dos direitos humanos muitas frases célebres são atribuídas. Nem todas terão sido mesmo proferidas por ele. Já vi atribuídas a outros frases como “o que vale não é o quanto se vive; mas como se vive”, “o que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons” e ainda a ecológico-irrealista “se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda hoje plantaria uma árvore”.

Mas esta é mesmo dele: “Não somos o que deveríamos ser; não somos o que queríamos ser; mas graças a Deus, não somos o que éramos”. E esta penso que também: “A liberdade jamais é dada pelo opressor ela tem que ser conquistada pelo oprimido”.

Salvamo-nos quando nos tornamos salvadores

Emaús é um pouco o carrinho de mão, as pás e as enxadas antes das bandeiras. Uma espécie de carburante social com base na recuperação dos homens espezinhados. Todo o movimento reside nesta ideia: salvamo-nos quando nos tornamos salvadores.

Abbé Pierre, em 1954, sobre a organização Emaús, que fundou

domingo, 13 de janeiro de 2013

13 de janeiro de 1979. A YMCA processa os Village People por difamação

Village People

YMCA quer dizer Young Men's Christian Association (YMCA), algo como Associação Cristã dos Jovens. Existe no munto anglófilo (nasceu em Londres, em 1844, e é particularmente ativa nos EUA), mas também no Brasil, sob a designação de Associação Cristã de Moços, e em Portugal, como Associação Cristã da Mocidade (ACM Coimbra aqui).

No dia 13 de janeiro de 1979, a YMCA processou os Village People por difamação. A canção é tida como “hino gay”. “They have everything that you need to enjoy, You can hang out with all the boys ...  It's fun to stay at the Y-M-C-A”.

Por coincidência, hoje ouvi falar (quer dizer, li aqui) de um calendário de jovens padres ortodoxos romenos. Há com cada uma.

Questões de Bento Domingues sobre economia e finanças


Do texto de Bento Domingues no "Público" de hoje, "Ano da Fé. Um decreto para quê? (1)":

As interrogações são inevitáveis: tanta ciência económica e financeira, ensinada nas Universidades Católicas, não será capaz de imaginar contributos para alternativas concretas, técnica e politicamente viáveis? A Banca é para salvar as pessoas ou serão estas, as exploradas, que devem salvar os interesses da Banca, mediante decisões governamentais? Não será possível desconstruir configurações políticas que, nos seus efeitos, resultam em grandes negócios para uns e em castigo para a maioria da população? Estaremos numa civilização esgotada a transitar de continente para continente, enquanto sistema de exploração, sem tentar curar as suas raízes?

As minhas observações
1. Aprecio muito Bento Domingues quando faz perguntas que questionam o funcionamento do sistema económico. Menos quando dá respostas sobre o sistema económico, coisa que hoje não faz. E ainda bem.

2. A partir de hoje, de um modo geral, só copiarei textos da imprensa escrita, na íntegra, no dia seguinte à sua publicação, se não estiverem disponíveis para todos on-line (para onde geralmente faço um link).

Política e meteorologia

Se um partido político se atribui o mérito da chuva, não se estranhe que os seus adversários o culpem da seca.

Dwight Morrow (1887-1931)

sábado, 12 de janeiro de 2013

José Manuel Pureza escreve sobre "Recuperar a ideia de Jesus que muda as nossas vidas"



José Manuel Pureza, o católico do Bloco de Esquerda, escreve hoje sobre Jesus Cristo no “Q” (do DN).

O texto tem como título “Recuperar a ideia de Jesus que muda as nossas vidas”. Surge a propósito do livro coordenado por Anselmo Borges “Quem foi, quem é Jesus Cristo?” (Gradiva).

Vou ler o artigo e hei de escrever aqui as minhas impressões. Talvez amanhã digitalize o texto do bloquista. Se alguém estiver impaciente pode sempre comprar o jornal.

Já por diversas vezes disse que gosto muito do “Q”. O desta semana é daqueles para ler de uma ponta à outra. Gosto do carácter ensaístico dos textos. Vejamos (refiro as peças pela ordem decrescente do meu interesse):

- o artigo de Pureza
- entrevista de seis páginas a António Damásio
- “As mais queridas assombrações da literatura”, peça sobre um livro que fala 500 anos de procura de provas da existência de fantasmas
- sugestões de livros, filmes e discos por João Paulo Cotrim
- peça sobre as crónicas de Rubem Braga
- novas edições de discos, livros e dvd
- texto sobre duas biografias de perfis opostos de Obama.

Leão XIII, o primeiro Papa a ser filmado

Leão XIII foi o primeiro papa a ser filmado. Um integrado, pois. Já aqui havia referido o assunto. Mas hoje pude ver finalmente tais filmagens.



Agradeço a José Serra, que me deu a conhecer o vídeo.

Caminho de Canossa

A propósito de uma campanha de uma marca de eletrodomésticos que usou os préstimos de uma jovem (estilista? manequim? - nunca dela tinha ouvido falar) e a seguir se arrependeu (tal foi o coro de críticas e gozos nas redes sociais; publicidade negativa, pois), Ferreira Fernandes evoca no DN um episódio político-eclesial:
Conhecem a origem do termo "caminho de Canossa"? É humilhar-se. Um imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Henrique IV, excomungado pelo Papa, pôs-se três noites à porta do castelo de Canossa a implorar perdão. Foi perdoado mas os estados europeus ficaram séculos sujeitos a Roma.

Ler tudo aqui. A "enciclopédia livre" explica o "caminho de Canossa".

Anselmo Borges: "Que futuro para Deus?"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.

É sobre o tema em epígrafe que Marie Drucker publicou uma entrevista com Frédéric Lenoir, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. Faz parte do livro Dieu (Deus).

Alguns indicadores estatísticos. Actualmente, dois terços da população mundial confessam acreditar em Deus. O outro terço reparte-se entre as religiões sem Deus (religiões chinesas, budismo, animismo, xamanismo...) e uma pequena parte que se declara sem pertença religiosa (menos de 10% da população mundial, principalmente na China e nos países europeus descristianizados).

Mesmo se a fé está a diminuir progressivamente desde há várias décadas, cerca de 90% dos americanos e dois terços dos europeus acreditam em Deus. A França e a República Checa constituem excepção, pois são os países que contam hoje com a taxa mais elevada de ateus na Europa. De qualquer modo, mesmo na França, a fé em Deus resiste melhor do que a pertença religiosa e permanece estável: 52%.

As projecções para 2050 dizem que os cristãos passarão de dois mil milhões para três mil milhões; os muçulmanos, de mil e duzentos milhões para dois mil e duzentos milhões; os hindus, de oitocentos milhões para mil e duzentos milhões; os budistas, de trezentos e cinquenta milhões para quatrocentos e trinta milhões; os judeus, de catorze milhões para dezassete milhões.

Estes números não consideram, evidentemente, "evoluções internas profundas" que as mentalidades podem vir a conhecer nem catástrofes ou agitações excepcionais. Segundo a evolução das mentalidades, é a Europa que indica a tendência: "uma secularização crescente, sem que a fé em Deus se afunde. Assim, as religiões terão cada vez menos domínio sobre as sociedades e serão cada vez mais numerosos os indivíduos a declarar-se sem religião, sem que isso signifique o fim da fé em Deus." Acentua-se, portanto, aquele movimento que os sociólogos caracterizam como "crer sem pertencer", emancipação progressiva dos indivíduos em relação às instituições religiosas, mas continuando a ter fé em Deus ou uma espiritualidade pessoal.

Este fenómeno está na linha dos "três grandes vectores da modernidade": "individualização, espírito crítico, mundialização". Assim, no quadro do que Marcel Gauchet chamou uma "revolução da consciência religiosa", é expectável que já não seja "o grupo a transmitir e impor a religião ao indivíduo, mas que seja este a exercer a sua livre escolha em função do seu desejo de realização pessoal". "Salvo se houver uma enorme catástrofe, nenhuma ditadura poderá manter-se na Terra e nenhuma religião conseguirá impor a sua lei aos indivíduos. Os principais vectores da modernidade vão progressivamente, com recuos pontuais, conquistar o mundo todo. Neste contexto, a religião tem razões para preocupar-se, mas não necessariamente Deus e ainda menos a espiritualidade, isto é, a procura do sentido da vida." De facto, as pessoas continuarão a interrogar-se sobre o enigma da existência e as suas questões essenciais: qual o sentido último?, como fazer face ao sofrimento e à morte?, como ser feliz?, quais são os valores que alicerçam a vida?

Por isso, ao mesmo tempo que assistimos à crise da prática religiosa constatamos que a fé em Deus "regressa docemente, mas de modo seguro". Significativamente, os dois elementos que se mantêm estáveis na Europa ao longo dos últimos trinta anos são as cerimónias funerárias religiosas e a fé em Deus, o que mostra que, apesar do distanciamento em relação às Igrejas, ainda se considera que a religião traz respostas à questão do enigma da vida e face à morte. Por isso, "enquanto a existência permanecer um enigma, enquanto a experiência do amor e da beleza nos fizer tocar no sagrado, enquanto a morte nos interpelar", há fortes chances de Deus, seja qual for o nome que se lhe dê, permanecer para muitos "uma resposta credível, um absoluto, uma força transformadora."

Mas há "metamorfoses" do rosto de Deus na modernidade que se acentuam: "Passa-se de um Deus pessoal a um divino impessoal; de um Deus masculino a um divino de qualidades femininas de amor e protecção; de um Deus exterior a um divino que se encontra no interior, no mais íntimo."

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ver o Papa com o bolso cheio de notas e moedas - o nosso bolso, não o do Papa

Notícia do DN de hoje.

Sucessão de bispos num mundo pequeno e em forma de bola


Ontem, um leitor deixou um comentário um pouco escatológico sobre o trabalho dos jornalistas dizendo que o título era “Papa nomeia substituto de bispo que saiu por pedofilia”, dando uma ideia errada, já que o que aconteceu foi que Donald Murray se demitiu em 2009 por ter encoberto abusos sexuais (no comentário aqui). Não saiu por pedofilia. Saiu por encobrir pedofilia.

Pois bem, hoje vem na “Bola” uma breve que, à partida, na sua concisão, não tem imprecisões. Obrigado, “Bola”, pela excelente informação religiosa. Bem sabemos que és um órgão confessional, mas também falas das outras fés de vez em quando. Como agora.



O que me chama a atenção, no entanto, não é o bispo mas a diocese para onde vai, Limerick. É a cidade da universidade de um autor muito apreciado cá por estes lados, David Lodge. É na Universidade de Limerick que se passa o romance “O mundo é pequeno” (Asa). Hoje, de facto, existe uma universidade em Limerick, mas não existia quando o católico reticente escreveu a obra. O romance é de 1984. A universidade é de 1989 (evoluiu de um instituto superior). Vi na Wikipédia, mas cruzei os dados e parece-me que estão corretos.

(Em “Pensamentos secretos”, na Asa, Lodge fala da Universidade de Gloucester, que também não existia quando escreveu a obra, mas agora existe como University of Gloucestershire. A obra foi publicada originalmente em 2001; nesse mesmo ano o instituto de mecânica tornou-se universidade.)

Os dois maiores erros da história de Portugal

António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeu...