terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de Maio de 1594. Morre o pintor Tintoretto


O pintor veneziano Tintoretto (ou Jacopo Comin, qualquer coisa como Tiago Cominho, nome descoberto apenas em 2007) morreu no 31 de Maio de 1594, aos 75 anos. Expoente o Renascimento veneziano, tinha o apelido de “Il Furioso” devido à força e dramatismo que emanam das suas pinturas.

A “Última Ceia” que aqui se reproduz está na Basílica de São Jorge Maior, em Veneza. Mede 3,65 por 5,68 metros. Quem vai a Veneza raramente a vê porque a basílica fica na Ilha de San Giorgio Maggiore, separada do núcleo principal da cidade.

Quando a minha igreja não é verdadeira igreja não é igreja sequer?


Slavoj Zizek é um neocomunista ou neomarxista ou neo qualquer coisa destas, que aqui há dois anos andei ler por causa do que dizia do cristianismo e de São Paulo (alguns ecos aqui). É também um neo-sofista que passa incólume às provocações diárias que lança. Não percebo como é que se aguenta com o que diz de Hitler. Talvez porque sendo de esquerda tem à partida a superioridade moral que é negada a outros. Ele reconhece “muitos problemas” por causa do que disse, mas julgo que não deixou de ensinar nas universidades nem de ser convidado para palestras (veja-se o que aconteceu a Lars von Trier):
Hitler "não foi violento o bastante nesse sentido autêntico, revolucionário, em que a violência significa transformação das relações sociais, e não tortura ou assassinato. Hitler matou milhões de judeus em nome da manutenção do sistema. O que estou dizendo é que não quero dar a Hitlersequer esse crédito, na linha “ele foi um criminoso, mas era um líder corajoso”. Não, ele não era. Nesse sentido, Mahatma Gandhi foi mais violento do que Hitler. Gandhi é sem dúvida um modelo de paz, mas nesse sentido básico ele foi violento, organizou protestos de massa com o objetivo de impedir o funcionamento do Estado colonial inglês na Índia. Isso é algo que Hitler nunca ousou fazer.
Mas ao ler a entrevista que no sábado, 28, saiu n’“O Globo” (aqui), encontrei um bom excerto para pensar nas mais lamentáveis páginas da história cristã. Também eu já me vi a justificar: “Não, isso não é o verdadeiro cristianismo”. Com as seguintes palavras de Zizek, mutatis mutandis, tenho hoje um bom motivo para pensar se na defesa da Igreja também não seremos (serei) sofistas inveterados. Mas não há que temer o pretenso totalitarismo da verdade.
Detesto os marxistas que dizem: “Stalin traiu o verdadeiro espírito do marxismo”. Não, não se pode permitir que isso seja dito. Se as coisas deram tão terrivelmente errado com Stalin, isso significa que havia uma falha estrutural no próprio edifício de Marx. Não acredito nessa baboseira do tipo “a ideia era boa mas infelizmente foi mal realizada”. Aqui eu sou freudiano. O resultado da ideia é como um sintoma, que aponta para algo errado na ideia. Não acho que os liberais de hoje consigam admitir isso. Por exemplo, tive um debate na França com Guy Sorman, um defensor radical do capitalismo e ele dizia: “capitalismo significa justiça e democracia”. Então eu perguntei, “mas e a China hoje?”, e ele respondeu “Ah, mas isso não é capitalismo”. Isso é um pouco fácil demais. Quando você tem um capitalismo que não se encaixa no seu ideal, você diz “não, não, não é disso que se trata”. É como a piada contada por Lacan, “meu noivo nunca está atrasado pois no momento em que se atrasa ele deixa de ser meu noivo”. Claro que você pode dizer, “o comunismo é sempre democrático pois no momento em que não é democrático ele deixa de ser comunismo”. Ok, mas isso é fácil demais.

O refugiado que deu bispo


Por falar em bispos (não há Igreja católica sem bispos - pós comentário a alguns comentários à frase de D. Carlos Azevedo, ontem), este vai ser ordenado do dia 23 de Junho, na Catedral de São Patrício de Melbourne. Até aí, nada de especial. É um dos quatro mil que a Igreja católica tem. Mas deverá ser o único que foi “boat people”. Vincent Long Van Nguyen tinha 18 anos quando a sua família, depois da tomada de Saigão pelos comunistas, fugiu do Vietname num pequeno barco carregado de refugiados. De certeza que ele não chegou à Austrália, onde ingressou nos franciscanos, no mesmo barco, ao contrário do que a notícia dá a entender. Mas é uma história assinalável. Li aqui.

O perigo de caminhar e só caminhar

Caminhar é uma maneira dissimulada de esperar, mais digna do que a do hóspede despreocupado na sala de espera, mas não menos maliciosa. Continua a caminhar, para que não tenhas de tomar decisões ao chegar. E este caminhar a que me refiro não é o caminho físico do vagabundo alegre, mas o caminhar moral, mental e psicológico que representa a actividade constante, a pressa, o trabalho sem fim e as ocupações que se sucedem umas às outras sem parar. Tudo aquilo que nos protege do perigo de pensar e do risco de tomar decisões. Continua a caminhar para não ter de pensar. Procura trabalhar todo o dia para não teres tempo de te enfrentar contigo mesmo, com a tua vida e com as tuas opções. Corre sem parar. Em paradoxo irónico quer dizer, espera tranquilo e não faças nada. (...) A pontualidade em decidir-se é uma virtude rara.


Carlos G.Vallés, sj. "Saber escolher" (Livraria A.I., Braga), pág. 111-112

30 de Maio de 1834. Promulgação da lei que expulsa de Portugal as ordens religiosas

Estátua do Mata-Frades, no Largo da Portagem, Coimbra

No dia 30 de Maio de 1834 o ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça promulga uma lei que declara extintos “todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares”. Os bens destas instituições são  secularizados e nacionalizados.
Esta lei valeu a Joaquim António de Aguiar (1792 – 1884) a alcunha de “Mata-Frades”.
Uma das inesperadas consequências culturais desta lei, além da dispersão e destruição das preciosas bibliotecas conventuais (ver aqui como foi vendido ao desbarato o Mosteiro de Tibães, casa-mãe dos beneditinos em Portugal), por exemplo, foi que ao expulsar os religiosos ou obrigá-los a integrar o clero diocesano, destruiu-se o ensino médio, que estava nas mãos das instituições religiosas. Passou mais de uma década até que o barbeiro e o boticário, à falta de frades cultos e de um ensino estatal organizado, começassem a ensinar o que o pouco que sabiam aos jovens portugueses.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Com mais mulheres, a linguagem da Igreja seria mais significativa

Stella Morra

Não são as mulheres que precisam de cargos eclesiásticos. São os cargos que precisam das mulheres. Eu apoiaria nisto uma teologia defensora do sacerdócio ministerial das mulheres. Parece-me que Stella Morra concordaria com as frases, embora a questão do sacerdócio não seja abordada. Nem pode ser. Perderia o seu lugar pelo menos na universidade pontifícia em que ensina, ela que também é colaboradora do "Átrio dos Gentios". Mas vale a pena ler a entrevista esta teóloga católica (sítio pessoal aqui), principalmente pelo que diz da teologia e da presença da Igreja no mundo. Dois excertos:

Pode-se dizer que a presença feminina poderia ajudar na resolução de alguns problemas? 
Eu não sei se os resolveria, mas certamente seria uma contribuição possível, que hoje falta, no entanto. O caso da teologia é profundamente emblemático. A teologia tem uma dificuldade neste momento de repensar a si mesma como ciência, não tanto nos conteúdos, mas no diálogo com relação às outras ciências e à situação do mundo, ou seja, na sua qualidade de ser uma ciência significativa. Desse ponto de vista, a contribuição das mulheres traria um saber prático que falta radicalmente. E se pode dizer que, pelo menos, não seria mais autorreferencial, porque seria uma teologia não imaginada para se tornar padre, mas deveria necessariamente se repensar em termos de qualidade. Desse ponto de vista, a teologia é um bom teste, mas o mesmo se aplica às estruturas da vida eclesial e muito mais.
(...) 
Problema da linguagem e dos más traduções tão frequentes… 
O problema comunicativo esconde na Igreja um problema hermenêutico que é ainda mais grave. Discute-se sobre os termos esquecendo o fato de que esses termos não importam mais a ninguém. É uma discussão entre sofistas, e não se sabe mais sobre o quê. Existe um linguístico comunicativo, e, por exemplo, seria preciso evitar os erros de tradução. Mas o fato de esses erros ocorrerem, se repetirem, significa que não é mais automaticamente evidente a relevância de algumas coisas.
Há uma radical irrelevância: estamos tergiversando sobre uma série de questões, enquanto, com tudo o que está acontecendo ao nosso redor – dos imigrantes à mudança dos cenários do Mediterrâneo, passando por como o mundo oriental está enfrentando a questão japonesa, à discussão sobre a energia nuclear, à proteção do planeta – nos mostramos, como Igreja, totalmente incapazes de dizer uma palavra.
Ler a entrevista toda aqui

Fermento ressequido

Frase de D. Carlos Azevedo no "Correio da Manhã" de hoje. É um pouco oleosa (como é que o fermento pode ser ressequido e oleoso ao mesmo tempo?). Mas compreende-se a ideia. O fermento é o princípio de transformação, é o oposto do ópio, que é princípio de acomodação. Não se confundem, apesar de ambos serem brancos.
Tempos houve em que o Evangelho - ou a religião - era o ópio do povo, segundo a frase que Marx copiou de outro autor. Hoje, nem ópio é, porque já não procuram a religião para consolo. Ainda bem. Falta é o resto.

Liberdade cristã

A liberdade cristã não pode ser espiritualizada, como um estado interior da pessoa, nem reduzida a um programa político.


Timothy Radcliffe, "Ser cristão para quê?" (ed. Paulinas), pág. 55.

"Hristos voskrse", "Cristo ressuscitou" em sérvio


Ortodoxos sérvios cantam a Páscoa.


Ljudi likujte, narodi čujte:
Hristos voskrse, radost donese!
Zvezde igrajte, gore pevajte,
Hristos voskrese, radost donese!
Šume šumite, vetri brujite,
Hristos voskrse, radost donese!
Mora gudite, zveri ričite,
Hristos voskrse, radost donese!
Pčele se rojte, a ptice pojte
Hristos voskrse, radost donese!

Anđeli stojte, pesmu utrojte,
Hristos voskrse, radost donese!
Nebo se snizi, zemlju uzvisi,
Hristos voskrse, radost donese!
Zvona zvonite, svima javite,
Hristos voskrse, radost donese!
Slava ti Bože, sve ti se može,
Hristos voskrse, radost donese!
Anđeli stojte, pesmu utrojte,
Hristos voskrse, radost donese!
Nebo se snizi, zemlju uzvisi,
Hristos voskrse, radost donese!
Zvona zvonite, svima javite,
Hristos voskrse, radost donese!
Slava ti Bože, sve ti se može,
Hristos voskrse, radost donese!

domingo, 29 de maio de 2011

Humor do Papa preferido dos saudosistas e geralmente sem humor

Giuseppe Sarto / Pio X

Diz-se de Pio X (Papa de 1903 a 1914), um dos pontífices preferidos dos tradicionalistas, antimodernistas, antiprogressistas e outros sem-humor do mesmo género, que tinha um grande sentido de humor.
Conta-se que estando o cardeal Giuseppe Sarto prestes a sair para Roma, a fim de participar no conclave que o haveria de eleger, uma senhora, com outros venezianos, despede-se cheia de entusiasmo:
- Senhor Patriarca, rezo todos os dias ao Espírito Santo para que elejam como Papa sua Eminência. Merece-o.
O futuro Pio X respondeu:
- Você tem uma opinião muito má do Espírito Santo, minha senhora.

Bento Domingues: Tentações do pensamento único

Texto de Bento Domingues no "Público" deste domingo, 29 de Maio. Ler aqui o referido texto de Anselmo Borges.

"Eis os invisíveis", segundo Miguel Esteves Cardoso



É um grande pecado não ver as essas que são visíveis. As pessoas que lavam as casas de banho; que pintam os muros da praia; que limpam as ruas. Ou os velhos e as criancinhas que passam por nós.
São pessoas invisíveis, a quem não falamos, que são o anjo Elias entre nós, os outros eus de Levinas; os convidados inesperados que, se dermos por eles e nos lembrarmos deles, hão-de ajudar a salvar as nossas pobres e comprometidas almas.


Miguel Esteves Cardoso no “Público” deste domingo.

sábado, 28 de maio de 2011

28 de Maio de 928. Eleição de Leão VI

Leão VI foi eleito no dia 28 de Maio de 928 para governar a Igreja durante cerca de sete meses, num período de instabilidade de que não abundam notícias. Foi assassinado em Dezembro de 928 por ordem da princesa toscana Marósia. Do seu pontificado conhece-se uma carta aos bispos da Dalmácia (Balcãs).

O João da Escada


Viveu no Sinai entre 580 e 650. No monte, para ser mais perto de Deus. Como isso não chegava, quis ainda uma escada, pelo que escreveu “A escada para o paraíso”, ou “A escada celestial” ou ainda, simplesmente, “A escada” – um tratado da vida espiritual em trinta partes, porque são 30 os degraus para chegar a Deus. O último degrau é a trindade das virtudes: fé, esperança e caridade. Escada, em grego, é “climax”, pelo que João ficou conhecido como “o da escada”, “climakos”. João Clímaco.

Gilgamesh e o sentido da vida


Gilgamesh no Louvre 
Para onde vão os teus passos, Gilgamesh? Não encontrarás a vida que procuras; quando os deuses criaram o homem, deram-lhe a morte por herança. Tinham a vida nas suas mãos. Gilgamesh, enche a barriga, sê feliz dia e noite, faz com que os dias transbordem de alegria, dança e faz música dia e noite. Veste roupa novas, lava a cabeça e saboreia um bom banho. Olha para a criança que levas pela mão. Faz com que a tua esposa goze o teu abraço. Só estas coisas são dignas do homem.
Excerto da epopeia de Gilgamesh (rei sumério do séc. XXVIII a. C.). Podia ser do séc. XXI d.C. E, no entanto, o prazer não é a única nem a melhor resposta para a questão do sentido.

Anselmo Borges: Que Igreja ainda tem futuro?

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Volto ao livro de Hans Küng, Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?), para reflectir sobre a Igreja com futuro.
Ao contrário do que pensam e dizem os seus detractores, Küng, teólogo e pensador de renome mundial, é um católico convicto, que dedicou toda a sua vida a pensar a fé no confronto com a modernidade e a pós-modernidade e a reflectir sobre o diálogo inter-religioso e um ethos global, com contributos fundamentais nestes domínios. Para ele, de facto, a teologia tem de ser ecuménica, no sentido de referida à ecúmena, isto é, a toda a terra habitada, defendendo, assim, o paradigma de uma teologia ecuménica crítica, com dois pólos em correlação: o primeiro pólo é o nosso mundo presente de experiência em toda a sua ambiguidade, contingência e expectativas, e o segundo, a tradição judeo-cristã, fundada, em última instância, no Evangelho de Jesus.
Na actual situação da Igreja, há várias opções: abandoná-la, converter-se a outra, não entrar nela. Outra opção: comprometer-se de modo activo, na comunidade, em movimentos, na teologia, pela sua reforma. "Foi esta opção que escolhi para mim."
A sua visão da Igreja determina-se por três características: 1. Radicalidade cristã: a reforma da Igreja não se funda na adaptação ao Zeitgeist (espírito do tempo), mas na mensagem originária cristã. Todas as exigências de reforma têm aqui a sua raiz (de radix, donde procede também radical), apoiam-se na grande tradição católica e estão referidas às necessidades e esperanças dos homens e mulheres de hoje. 2. Constância: não se baseia em oportunismos nem em concessões à teologia da Cúria, mas atende aos impulsos fundamentais do Concílio Vaticano II e à eventual perspectiva de um novo Concílio. 3. Coerência: as diferentes questões, como o celibato, ordenação das mulheres, participação dos leigos, não podem ser vistas isoladamente, pois têm de ser inseridas num projecto eclesial coerente, que se concentra no Evangelho e tem em conta a mudança de paradigma: abandona a Idade Média, a contra-reforma e o anti-modernismo e abre-se à pós-modernidade.
Concretizando: 1. Não tem salvação uma Igreja voltada para o passado. Mas sobreviverá uma Igreja que "bebe na fonte cristã e se concentra nas tarefas do presente", aberta ao futuro.
2. Não tem salvação uma Igreja fixada patriarcalmente em imagens estereotipadas da mulher, linguagem exclusivamente masculina, papéis sexuais pré-definidos. Mas sobreviverá uma Igreja de companheirismo, que vincula instituição e carisma e "aceita mulheres em todos os cargos eclesiais".
3. Não tem salvação uma Igreja vencida pela arrogância institucional, exclusivismo confessional, negação da comunidade. Mas sobreviverá uma Igreja que seja "uma Igreja ecuménica aberta".
4. Não tem salvação uma Igreja eurocêntrica e que reclama que só ela tem a verdade, no quadro de um imperialismo romano. Mas sobreviverá uma Igreja "universal e tolerante, que respeita uma verdade sempre maior, que, portanto, procura aprender também com as outras religiões e deixa uma adequada autonomia às Igrejas nacionais, regionais e locais. E que, por isso, também é respeitada pelos homens e mulheres, cristãos e não cristãos". "Não abandonei a esperança de que a Igreja sobreviverá", conclui.
E em Portugal? Evidentemente, valem os mesmos princípios: fé esclarecida, prática da caridade e combate por uma sociedade justa, celebrações litúrgicas belas. São de saudar iniciativas recentemente tomadas, como a sondagem para saber o que a sociedade espera da Igreja. Que não haja receio de colocar então todas as perguntas, mesmo as incómodas. No recenseamento da prática dominical, que se pergunte também o que se pensa do clero, das liturgias, o que leva ao abandono da Igreja.
Nesta saudação, inclui-se a criação do Observatório Social da Igreja Católica, com o objectivo de pôr em rede as organizações sociais ligadas à Igreja. Que, sem partidarismos, se ouse também a crítica sócio-política, apresentando horizontes de esperança, orientações para um futuro melhor.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

27 de Maio de 1525. Morre Thomas Muntzer, o teólogo revolucionário


Thomas Muntzer, reformador alemão contemporâneo de Lutero, que a princípio seguiu o antigo monge agostinho mas depois separou-se, assumindo posturas mais radicais e aproximando-se nos anapabtistas, que defendiam o baptismo apenas de adultos, morreu no dia 27 de Maio de 1525, decapitado, depois de ter sido capturado na Batalha de Frankenhausen. Muntzer liderava uma revolta de camponeses.

O Reino de Deus sobre a terra implicava uma reforma radical que desagradou tanto a católicos como a luteranos. Muntzer foi o primeiro teólogo revolucionário dos tempos modernos. Era admirado na Alemanha de Leste (e por alguns marxistas), que o recordou numa nota de 5 marcos em 1975.

O padre do 11 de Setembro

No jornal "i" desta sexta-feira. Vale a pena ler o testemunho de um padre que trabalha da zona do "Ground zero". Tens algumas boas histórias (o médico judeu, os que se casaram, a cidade que melhorou...) e uma imprecisão. O padre que morreu no atentado, capelão dos bombeiros de NY, não era jesuíta, mas franciscano, Mychal F. Judge.

O milagre da normalidade

Tudo o que Deus estabeleceu na natureza como elementos constantes e que, portanto, ocorre todos dos dias, pereceria milagre e suscitaria a nossa admiração se acontecesse apenas uma vez.

John Donne (1572-1631)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

26 de Maio de 1986. A Comunidade Económica Europeia adopta a bandeira



Doze estrelas douradas num fundo azul. Esta bandeira foi inicialmente adoptada pelo Conselho da Europa. No dia 26 de Maio de 1896, adoptou-a a Comunidade Económica Europeia, que depois veio a dar lugar à União Europeia. Há muitas interpretações para as 12 estrelas douradas, mas, na origem, simbologia é mariana. Trata-se das doze estrelas da coroa de Nossa Senhora.


Ler aqui um pouco da história da bandeira, inspirada na imagem de Nossa Senhora da Conceição da Catedral de Estrasburgo. E aqui uma tentativa protestante de retirá-la literalmente da circulação, já que consta da matrícula dos automóveis europeus.

Abrunhosa entrevista o Bispo do Porto


Pedro Abrunhosa entrevistou D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, para o "Página 1" de 25 de Maio (jornal digital da Rádio Renascença). A entrevista pode ser vista e ouvida aqui.

“Holy Drink”

Como dizia alguém: "Por humor de Deus, o humor nunca foi e nem tem de ser teologicamente correcto". Francisco Gomes, na página Nano-Contos do FB e hoje ao vivo no Bar A Barraca, de vez em quando inspira-se na religião, como neste nanoconto (que tem mais de teológico do que de suposta blasfémia):
Quando o Vaticano se apercebeu da asneira, já era tarde. Um bispo engarrafava água benta e vendia-a como “Holy Drink”. A malta começou a levá-la para as raves e dizia que, com a pastilha certa, até viam Deus.

Agência Ecclesia visita Tribo de Jacob

O programa 70 X 7, produzido pela Agência Ecclesia, visitou o Tribo de Jacob, agora mesmo - uma conversa a propósito da mensagem do Papa para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que afirma que é necessário um perfil católico nas redes sociais (pode ser lida aqui). O programa passa na RTP 2, na manhã de 5 de Junho. Estará disponível aqui.

O que “os políticos” não estão a perceber



“A política profissionaliza-se, mumifica-se nos partidos, blinda-se em sistemas eleitorais rígidos e com listas fechadas, especializa-se em tornar impossível a sua substituição (…), protege os seus com zelo de lobby, torna-se ideologia do vale tudo para ganhar eleições, transforma-se em jogo de estratégias entre «fanáticos» subvencionados (…)”. Artigo de José Ingacio Calleja, perito em Moral Social Cristã, publicado no Religión Digital (aqui). Em Espanha como em Portugal.
Hace tiempo que veo a la política profesional sobrepasada por las consecuencias del naufragio económico. Estoy convencido de que todos ellos saben perfectamente de la distancia sideral entre lo que quisieran hacer y pueden hacer. Siempre ha sido así en la política, pero quizá nunca con esta distancia tan extrema. Deseo pensar bien y conceder este buen propósito a derechas e izquierdas. (¡Porque haberlas, haylas!). 
Sé que el proyecto global de sociedad de unos y otros varía mucho, y mucho también su visión de qué significa eficiencia en relación a las demandas sociales. El mismo concepto de eficiencia cuando lo referimos a economía, y a la vez, a justicia social, levanta un mundo de diferencias políticas enorme. Insisto, claro que sigue habiendo izquierdas y derechas.Norberto Bobbio me sirve de maestro para mantenerlo y mi sentido común lo corrobora. Y claro que no "todos los políticos, ni todas las políticas" son iguales. Sobre esto no tengo dudas.Pero la cuestión no es esa, la cuestión es que la soberanía de los mercados financieros, y de los otros mercados, está resolviendo la crisis que ellos mismos provocaron, como nadie, enteramente a su favor y con sus reglas de juego antidemocráticas. Y aquí la política profesional, que lo sabe perfectamente, cuando no participa de buen grado como administrador (in)fiel, lo hace en silencio, y a la trágala. Pero siempre en una posición cómplice o sometida. Y esta es la cuestión que plantea mucha gente a la política, ¿por qué? 
Quienes se dedican a la política dicen que eso no es así. Que mucha gente es injusta cuando los valora con tópicos y generalizaciones. Pienso que no nos va la vida en reconocer lo que esta queja tiene de verdad, pero la cuestión sigue intacta. ¿Por qué la política profesional toma una actitud entre la complicidad y el sometimiento ante el gobierno de los mercaderes? 
Para mí las respuesta tiene muchas aristas y claves, y van desde la ideología de la inevitabilidad interesada ("las cosas son como son y no pueden ser de otro modo muy distinto"), a la ideología del "cortoplazo" electoral que da y quita todo cada cuatro años o menos. Pero más profundamente, toda la política profesional, a mi juicio, padece el síndrome de un grupo-casta, especializado en una tarea social necesaria, "gobernar", que acepta que sólo sea "gestionar en nombre de otros más poderosos", a cambio de que les respeten el control de su juguete y su estatus social. 
Así, la política, se profesionaliza, se acartona en los partidos, se blinda en sistemas electorales rígidos y con listas cerradas, se especializa hasta hacer imposible su sustitución, se hace profesión de por vida, se hereda en las familias, se enreda en el boato a la mínima y protege con celo de lobby a los suyos, se hace ideología del todo vale para ganar elecciones, se transforma en juego de estrategias entre "fanáticos" subvencionados y hasta aparenta recrearse en una modo de vida virtual. 
Al llegar una crisis social y económica de la magnitud de la presente, se dan todos los ingredientes para que la política profesional sea la primera en pagar los platos rotos: está en primera línea, presume de tener poder, sigue con sus consumos hasta que le estalla el presupuesto, pacta con los grupos de la administración que le acompañan mientras es posible, se empeñan en sus juegos electorales hasta la víspera del hundimiento del Titanic, y defienden sin pudor alguno hasta la última ventaja económica que les "corresponda". (¿Tengo que dar nombres?). 
Sin duda, los retos de la democracia para someter los mercados a la soberanía social y hacerse democracia real, ¡democracia, sin más!, son otros y mayores que estos recién dichos. Y tienen que ver, sobre todo, con el hecho de que, si no hay unas condiciones mínimas de vida digna para todos, ¡siquiera unas oportunidades dignas de vida!, la democracia y el sistema social están en el aire, y las reglas del libre mercado, cuestionables con todo derecho. Se trata del irrenunciable derecho de resistencia a los abusos de un poder incontrolado.Ahora bien, en el día a día, la clase política profesional tiene el primer problema democrático en demostrar que está ahí al servicio de la gente y atendiendo a sus prioridades; y para eso, al menos, que llegado un momento difícil, es la primera que se abre a la reforma democrática y la primera que cuestiona sus "derechos económicos adquiridos". 
Yo creo que esto de la política profesional, en sociedades laicas, tiene una exigencia de ejemplaridad con visos casi religiosos. Ya ven, a lo más laico de las sociedades modernas, la política, cuando llegan las crisis, los ciudadanos le piden "santidad". Seguramente, no ha de ser tanto, ni siquiera, heroicidad, pero sí, honestidad, claridad democrática y mucha austeridad. Y esto trasciende los votos que se logran. Es otra cosa, y la gente lo reclama. No sé si a muchos políticos profesionales les interesará la política en estas condiciones, pero en la crisis, ¡siquiera en la crisis!, la gente lo reclama. En su defecto, esa política profesional no es la solución para la democracia, sino parte fundamental del problema. Sin adjetivos para la democracia. La única.

Ciência e mística

A alternativa a pensar em termos evolucionistas é não pensar de todo.
Peter Medawar (1915-1987)

De todas estas descobertas – e cada uma delas o faz mergulhar um pouco mais fundo no oceano de energia – o místico retira uma alegria perfeita, e a sede que tem delas é insaciável.
Pierre Teilhard de Chardin (1881-1855)


quarta-feira, 25 de maio de 2011

25 de Maio de 1085. Morre o Papa Gregório VII


O Papa Gregório VII, Hildebrando de baptismo, nasceu em Sovana (Itália), por volta de 1025, e morreu em Salerno (Itália), no 25 de Maio de 1085.  Foi monge de Cluny, beneditino, e um dos grandes papas da História da Igreja. Quando foi eleito, por aclamação popular, em 1073, ainda nem era padre. Impulsionou uma das maiores reformas da Igreja, que ficou conhecida precisamente por Reforma Gregoriana.

Gregório VII reafirmou o poder papal, quer em relação ao poder temporal, que em relação aos bispos, publicando o “Dictatus Papae”, embora haja quem duvide da autoria do documento. De qualquer forma, o conjunto de 27 axiomas é da época e afirma claramente o poder do Papa. Eis alguns dos pontos:
I. Que a Igreja Romana foi fundada somente pelo Senhor. 
II.  Que só o Pontífice Romano seja dito legitimamente universal. 
III. Que só ele possa depor ou repor bispos. 
IX.  Que todos os príncipes devem beijar os pés do Papa. 
X.  Que o seu nome deve ser recitado em toda igreja. 
XI.  Que este nome é único no mundo. 
XII. Que lhe seja lícito depor os imperadores. 
XXVI.  Que ninguém seja chamado católico se não concorda com a Igreja Romana.

Pecados de gente que chora e geme

No meio de um livro de espiritualidade, dos que são mesmo bons, uma frase (a parte de Agostinho) que faz pensar na actualidade política portuguesa, com as devidas adaptações, que não vou fazer:
Quando os pelagianos insistiram que todo o pecado é uma rejeição de Deus, plenamente consciente, Agostinho respondeu que «muitos pecados são cometidos por gente que chora e geme» ("Ser cristão para quê?", de Thimothy Radcliffe, nas Paulinas, pág. 57).

Mestres medievais por Bento XVI


Os Mestres
Bento XVI
Paulus
240 páginas

Desde o início do seu pontificado, Bento XVI dedicou as catequeses das quartas-feiras a mestres do cristianismo, começando pelos apóstolos, passando pelos padres apostólicos (aqueles que lidaram com os apóstolos), os apologetas (primeiros defensores do cristianismo), os Padres da Igreja (grandes teólogos dos primeiros séculos), etc. Pelo meio houve catequeses sobre São Paulo, no Ano Paulino.

Todas as catequeses beneditinas, geralmente de quatro ou cinco páginas, deram origem a livros. Agora chega às livrarias o volume que reúne “padres escritores do primeiro milénio” (após os Padres da Igreja), mais os “padres e escritores da Idade Média”, mais os “franciscanos e dominicanos”. As denominações não são exactas, porque na realidade são todos medievais, mas compreende-se a arrumação. E a seguir, espera-se, virá o volume dedicado às místicas deste período da história, como Ângela de Foligno, Hildegarda ou Juliana de Norwich.

Estas catequeses leves constituem excelentes introduções ao pensamento dos autores abordados. Alguns deste período são verdadeiros monstros sagrados da teologia e da espiritualidade, como João Damasceno, Anselmo de Aosta, Bernardo de Claraval, António de Lisboa, Boaventura e Tomás de Aquino.

Sapatos de saltar

Ponha os seus sapatos de saltar, que são o intelecto e o amor.


Mestre Ekchart (1260-1327)

terça-feira, 24 de maio de 2011

24 de Maio de 189. Morre o Papa Eleutério

De origem grega, o Papa Eleutério morreu no dia 24 de Maio de 189. Era Papa desde 174. É o último da lista de 13 papas num documento de Ireneu de Lião (130-202), o primeiro teólogo a defender consistentemente a ideias de tradição cristã e sucessão apostólica.

Eleutério teve de enfrentar o montanismo, movimento herético criado por Montano, por volta do ano 150, que dizia estar prestes a chegar a era do Espírito Santo. Tertuliano (170-212) foi o montanista mais célebre.

Monges com falta de humor

Na "Regra dos Quadro Padres", provavelmente compilada na Abadia de Lérins, no séc. V, estava a seguinte regra, apesar das belas vistas sobre o Mediterrâneo:
Se alguém for surpreendido a rir ou a dizer piadas, ordenamos que, durante duas semanas, esse homem seja reprimido com a vara da humildade.

Adriano Moreira recorda Padre António Vieira

No texto de hoje no "Diário de Notícias", o professor Adriano Moreira cita parte de um sermão do Padre António Vieira (Quarta Feira da Quaresma do ano de 1669):
"Estais Cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra, vedes as obrigações, que se descarregam sobre o vosso cuidado, vedes o povo, que carrega sobre as vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores, e gemidos de todos? Ou os vedes ou os não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se não remediais, como os vedes? Estais cegos".
O resto, como este bocadinho, é política. Ler tudo aqui.

Não-conhecível

Ao penetrarmos em tantos segredos, deixamos de acreditar no não-conhecível. Mas ele lá está, sentado, a lamber calmamente dos beiços.


H. L. Mencken (1880-1956)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

23 de Maio de 1555. É eleito Paulo IV, o papa que não hesitaria em queimar o seu pai hereje


Paulo IV, um papa que não gostava de espanhóis nem de jesuítas, foi eleito no dia 23 de Maio de 1555, aos 78 anos, e morreu no dia 18 de Agosto de 1559.

Não gostava de espanhóis porque estes tinham pretensões sobre o reino de Nápoles, de onde era a família no papa. E não gostava de jesuítas porque tivera um desentendimento com Inácio de Loiola, pretendendo influenciar a formação jesuítica. O que é certo é que obrigou os jesuítas a rezarem a Liturgia da Horas, como outras congregações, e pôs os Exercícios Espirituais no Index.

Incentivou a Inquisição - tinha sido inquisidor - e diz-se que disse: “Se o meu pai fosse herético, eu iria apanhar lenha para a sua fogueira”. João da Cruz e Teresa de Ávila viriam a sofrer da violência (ele) e suspeição (ela) da organização que era, segundo expressões papais, “a menina dos olhos”, a “preferida do coração”.

A história de Lázaro contada por crianças irlandesas da década de 1960

Ressurreição é...

Do Hermano Cortés

Presente




O que nós somos é o presente de Deus para nós. O que nós nos tornamos é nosso presente para Deus.

Eleanor Powell (1912-1982), à esquerda no vídeo.

O Papa à conversa com astronautas

O primeiro Papa a falar para o espaço. Chegou a estar a anunciado para 4 de Maio, mas aconteceu somente no dia 21, sábado. O texto da conversa, em baixo, foi copiado daqui.

Pope: Dear astronauts,

I am very happy to have this extraordinary opportunity to converse with you during your mission. I am especially grateful to be able to speak to so many of you, as both crews are present on the Space Station at this time.
Humanity is experiencing a period of extremely rapid progress in the fields of scientific knowledge and technical applications. In a sense, you are our representatives – spear-heading humanity’s exploration of new spaces and possibilities for our future, going beyond the limitations of our everyday existence.
We all admire your courage, as well as the discipline and commitment with which you prepared yourselves for this mission. We are convinced you are inspired by noble ideals and that you intend placing the results of your research and endeavours at the disposal of all humanity and for the common good.
This conversation gives me the chance to express my own admiration and appreciation to you and to all those who collaborate in making your mission possible, and to add my heartfelt encouragement to bring it to a safe and successful conclusion.

But this is a conversation, so I must not be the only one doing the talking.
I am very curious to hear you tell me about your experiences and your reflections.
If you don’t mind, I would like to ask you a few questions…

First Question [Pope]:
From the Space Station you have a very different view of the Earth. You fly over different continents and nations several times a day. I think it must be obvious to you how we all live together on one Earth and how absurd it is that we fight and kill each other one. I know that Mark Kelly’s wife was a victim of a serious attack and I hope her health continues to improve. When you are contemplating the Earth from up there, do you ever wonder about the way nations and people live together down here, or about how science can contribute to the cause of peace?

Reply (Mark Kelly, USA):
Well, thank you for the kind words, Your Holiness, and thank you for mentioning my wife Gabby. It’s a very good question: we fly over most of the world and you don’t see borders, but at the same time we realize that people fight with each other and there is a lot of violence in this world and it’s really an unfortunate thing. Usually, people fight over many different things. As we’ve seen in the Middle East right now: it’s somewhat for democracy in certain areas, but usually people fight for resources. And it’s interesting in space … on Earth, people often fight for energy; in space we use solar power and we have fuel cells on the Space Station. You know, the science and the technology that we put into the Space Station to develop a solar power capability, gives us pretty much an unlimited amount of energy. And if those technologies could be adapted more on Earth, we could possibly reduce some of that violence.

Second Question:
One of the themes I often return to in my discourses concerns the responsibility we all have towards the future of our planet. I recall the serious risks facing the environment and the survival of future generations. Scientists tell us we have to be careful and from an ethical point of view we must develop our consciences as well.
From your extraordinary observation point, how do you see the situation on Earth?
Do you see signs or phenomena to which we need to be more attentive?

Reply (Ron Garan, USA):
Well, Your Holiness, it’s a great honour to speak with you and you’re right: it really is an extraordinary vantage point we have up here. On the one hand, we can see how indescribably beautiful the planet that we have been given is; but on the other hand, we can really clearly see how fragile it is. Just the atmosphere, for instance: the atmosphere when viewed from space is paper-thin, and to think that this paper-thin layer is all that separates every living thing from the vacuum of space and is all that protects us, is really a sobering thought. You know, it seems to us that it’s just incredible to view the Earth hanging in the blackness of space and to think that we are all on this together, riding through this beautiful fragile oasis through the universe, it really fills us with a lot of hope to think that all of us on board this incredible orbiting Space Station that was built by the many nations of our international partnership, to accomplish this tremendous feat in orbit, I think … you know, that just shows that by working together and by cooperating we can overcome many of the problems that face our planet, we could solve many of the challenges that face the inhabitants of our planet … it really is a wonderful place to live and work, and it’s a wonderful place to view our beautiful Earth.

Third Question:
The experience you are having right now is both extraordinary and very important – even if you must eventually come back down to Earth like all the rest of us.
When you do return, you will be much admired and treated like heroes who speak and act with authority. You will be asked to talk about your experiences. What will be the most important messages you would like to convey – to young people especially – who will live in a world strongly influenced by your experiences and discoveries?

Reply (Ron Finchke, USA):
Your Holiness, as my colleagues have indicated, we can look down and see our beautiful planet Earth that God has made, and it is the most beautiful planet in the whole Solar System. However, if we look up, we can see the rest of the universe, and the rest of the Universe is out there for us to go explore. And the International Space Station is just one symbol, one example of what human beings can do when we work together constructively. So our message, I think - one of our many messages, but I think one of our most important messages – is to let the children of the planet know, the young people know that there is a whole universe for us to go explore. And when we do it together, there is nothing that we cannot accomplish.

Fourth Question:
Space exploration is a fascinating scientific adventure. I know that you have been installing new equipment to further scientific research and the study of radiation coming from outer space. But I think it is also an adventure of the human spirit, a powerful stimulus to reflect on the origins and on the destiny of the universe and humanity. Believers often look up at the limitless heavens and, meditating on the Creator of it all, they are struck by the mystery of His greatness. That is why the medal I gave Roberto as a sign of my own participation in your mission, represents the Creation of Man – as painted by Michelangelo on the Sistine Chapel ceiling. In the midst of your intense work and research, do you ever stop and reflect like this – perhaps even to say a prayer to the Creator? Or will it be easier for you to think about these things once you have returned to Earth?

Reply (Roberto Vittori, Italy):
Your Holiness, to live on board of the International Space Station, to work as an astronaut on the shuttle Soyuz of the Station, is extremely intense. But we all have an opportunity, when the nights come, to look down on Earth: our planet, the blue planet, is beautiful. Blue is the colour of our planet, blue is the colour of the sky, blue is also the colour of the Italian Air Force, the organization that gave me the opportunity to then join the Italian Space Agency and the European Space Agency. When we have a moment to look down, beauty which is the three-dimensional effect of the beauty of the planet is capturing our heart, is capturing my heart. And I do pray: I do pray for me, for our families, for our future. I took with me the coin and I allow this coin to float in front of me to demonstrate lack of gravity. I shall thank you very much for this opportunity and I’d like to allow this coin to float to my friend and colleague Paolo: he will make return to Earth on the Soyuz. I brought it with me to space and he will take it down to Earth to then give it back to you.

Fifth Question – in Italian – for Paolo Nespoli:
Dear Paolo , I know that your Mother passed away recently and that when you get back home in a few days she will not be there to greet you. We are all close to you in your loss, and I personally have prayed for her…How did you cope with this sorrowful time? Do you feel alone and cut off in your Space Station? Do you suffer a sense of separation, or do you feel united among yourselves and part of a community that follows your endeavours with attention and affection?

Reply (Paolo Nespoli, Italy):
Holy Father, I've felt your prayers, your prayers even now: it's true, we are away from this world, orbiting around the earth and having a vantage-point of looking upon the earth and feeling all that's happening on it. My colleagues here aboard the station have been close in this important, very intense, time for me, just as my siblings, my aunts, cousins and relatives were close to my mother in her last moments. I'm grateful for all this. I've felt myself far, but also very close, and surely the thought of feeling all you close to me, closely united in this moment, has been an extreme comfort. I also thank the European and American space agencies which made their resources available so I could talk to my mother in her last hours alive.

Pope: Dear astronauts,
I thank you warmly for this wonderful opportunity to meet and dialogue with you. You have helped me and many other people to reflect together on important issues that regard the future of humanity. I wish you the very best for your work and for the success of your great mission at the service of science, international collaboration, authentic progress, and for peace in the world. I will continue to follow you in my thoughts and prayers and I willingly impart my Apostolic Blessing.

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