quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010: Uma grande folha em branco para desenhar

A última tira inédita do Clavin foi publicada no dia 31 de Dezembro de 1995. Falava de um novo mundo, fresco e limpo, de um dia cheio de potencialidades. “Vamos explorá-lo”. Bom 2010.

Edward Schillebeeckx. Ecos de uma conferência em Lisboa - 1

Edward Schillebeeckx (Antuérpia, 12 de Novembro de 1914 – Nimega, 23 de Dezembro de 2009), esteve pelo menos uma vez em Portugal. Em Abril de 1966 proferiu em Lisboa uma conferência para os assinantes da revista “Concilium”, que nessa altura tinha uma edição em português de Portugal (agora, a versão em português é publicada a partir do Brasil).

A conferência, sobre a secularização e o aparente ocultamento de Deus, foi publicada nos “Cadernos o Tempo e o Modo”, cujo número 3 teve como tema “Deus o que é?”.

O artigo que resultou da conferência é verdadeiramente espantoso. E actual, passados mais de 40 anos. Começa assim:

“No reinado de Filipe II de Espanha, foi submetido às autoridade o projecto de tornar navegáveis o Tejo e o Manzanares, com o fim de melhorar as condições de vida de algumas populações isoladas. A comissão governamental opôs-se. Reconhecia que a situações dessas populações era difícil e até insuportável, mas punha de lado o projecto, porque «se Deus tivesse querido que esses rios fossem navegáveis, com uma só palavra sua o teria conseguido. Isso seria portanto intrometer-se de modo ilegítimo nos direitos da Providência, tentando melhorar o que, por motivos insondáveis, ela tinha deixado incompleto».

Este episódio traduz uma mentalidade que pertence sem dúvida ao passado, mas que ainda subsiste nos nossos dias sob formas mais subtis. É conhecido o dito espirituoso: «A fé, a esperança e a caridade permanecem, mas a maior das três é a ordem estabelecida»”.

Regressarei ao artigo de 1966. Talvez já em 2010.

31 de Dezembro de 335. Morre Silvestre I

Silvestre, Papa, e Constantino, imperador

Silvestre I foi Papa de 31 de Janeiro de 314 a 31 de Dezembro de 335. Pontificou durante o reinado de Constantino, que concedeu a liberdade de culto aos cristãos (ainda sem proibir o paganismo).

Durante o papado de Silvestre realizou-se o Concílio de Niceia que, como se sabe, foi convocado pelo Imperador. O Papa não esteve presente, mas mandou emissários Vitus e Vincentius e aprovou o resultado final: definição da consubstancialidade do Filho e do Pai e consequente condenação do arianismo.

No tempo de Silvestre I foram construídas em Roma as primitivas basílicas de São Pedro e de São João de Latrão.

Mais que não seja, este Papa é recordado todos os anos por causa das corridas de “São Silvestre”, neste dia 31, embora já haja provas com o mesmo nome realizadas nos dias anteriores.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

If (Se), poema de Rudyard Kipling

Poema de Rudyard Kipling, no dia em que passam 144 anos sobre o seu nascimento. O autor de “O Livro da Selva”, “Kim” e “O homem que queria ser rei” nasceu no dia 30 de Dezembro de 1865, em Bombaim. Prémio Nobel da Literatura em 1907 (o primeiro em língua inglesa e o mais jovem inglês), morreu no dia 18 de Janeiro de 1936, em Londres.

If (Se)

Se consegues manter a calma quando à tua volta todos a perdem e te culpam por isso;
Se consegues manter a confiança em ti próprio quando todos duvidam de ti, mas também fores capaz de aceitar as suas dúvidas;
Se consegues esperar sem te cansares com a espera, ou, sendo caluniado, não devolveres as calúnias; ou, sendo odiado, não cederes ao ódio, e, mesmo assim, não pareceres paternalista nem presunçoso;

Se consegues sonhar – e não ficares dependente dos teus sonhos;
Se consegues pensar – e não transformares os teus pensamentos nas tuas certezas;
Se consegues encarar o Triunfo e o Desaire e tratar esses dois impostores da mesma maneira;
Se consegues suportar ouvir a verdade do que disseste, transformada, por gente desonesta, em armadilha para enganar os tolos, ou ver destruídas as coisas por que lutaste toda a vida, e, mantendo-te fiel a ti próprio, reconstruí-las com ferramentas já gastas;

Se és capaz de arriscar tudo o que conseguiste numa única jogada de cara ou coroa,
e, perdendo, recomeçar tudo do princípio, sem lamentar o que perdeste;
Se consegues obrigar o teu coração e os teus nervos a ter força para aguentar mesmo quando já estão exaustos, e continuares, quando em ti nada mais resta do que a Vontade que lhes diz: « Resistam!»

Se consegues falar a multidões sem te corromperes, ou conviveres com reis sem perder a naturalidade;
Se consegues nunca te sentir ofendido seja por inimigos, seja por amigos queridos;
Se todos podem contar contigo, mas sem que os substituas;
Se consegues preencher cada implacável minuto com sessenta segundos que valham a pena ser vividos, é tua a Terra e tudo o que nela existe, e – mais importante ainda – então, meu filho, serás um Homem.

30 de Dezembro 1370. Eleição de Gregório XI

Regresso de Gregório XI a Roma, por Giorgio Vasari

Gregório XI, o último Papa francês, foi eleito no dia 30 de Dezembro de 1370. Começou o pontificado em Avinhão e terminou-o em Roma. Morreu no dia 27 de Março de 1378. Gregório XI mudou-se para Roma por influência de Catarina de Sena (que está sepultada na Basílica de São Pedro). Terminava assim uma espécie de cativeiro, porque a terra dos papas é Roma.

Após a morte de Gregório XI, porque os franceses não gostam do regresso a Roma (e além dos franceses, diversos outros reis, incluindo, por vezes, o português), começa o Cisma do Ocidente. Um papa em Roma e outro (antipapa) em Avinhão.

A Minha Religião é o Novo - Poema de Gonçalo M. Tavares


A minha Religião é o Novo.
Este dia, por exemplo; o pôr do Sol,
estas invenções habituais: o Mar.
Ainda:
os cisnes a Ralhar com a água. A Rapariga mais bonita que
ontem.
Deus como habitante único.
Todos somos estrangeiros a esta Região, cujo único habitante
verdadeiro é Deus (este bem podia ser o Rótulo do nosso
Frasco).
Dele também se podia dizer, como homenagem:
Hóspede discreto.
Ou mais pomposamente:
O Enorme Hóspede discreto.
Ou dizer ainda, para demorar Deus mais tempo nos lábios ou
neste caso no papel, na escrita, dizer ainda, no seu epitáfio que
nunca chega, que nunca será útil, dizer dele:
em todo o lado é hóspede,
e em todo o lado é Discreto.

Gonçalo M. Tavares, in Investigações. Novalis

Thomas Becket e os artistas

Thomas Becket surgiu em 2006, numa sondagem da BBC como uma das figuras histórias menos conhecidas dos ingleses e como sendo o segundo pior britânico da história. No lugar do “pior de todos” surgiu Jack, o Estripador (um terço dos britânicos acha que o Sol orbita à volta de terra e uma percentagem significativa não se importava de ter como pai Homer Simpson).

Mas a importância cultura de Thomas Becket é impar na cultura da velha Albion. Os "Contos de Cantuária", de Geoffrey Chaucer, passam-se entre peregrinos a caminho do túmulo do mártir, na Catedral de Cantuária.

A peça “Assassínio na Catedral”, de T. S. Eliot, recria o martírio. Há diversos filmes sobre o bispo Becket. E até uma ópera.

Mais recentemente, “Os Pilares da Terra”, aclamado romance de Ken Follet sobre a construção da catedral e as disputas entre a Igreja e o Rei, culmina no assassínio de Becket.

Quanto às representações plásticas, são incontáveis, principalmente medievais.

Para promover a liberdade religiosa em todas as tradições, existe o Becket Fund for Religious Liberty (aqui).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

29 de Dezembro de 1170. Thomas Becket é assassinado

O Martírio de São Tomás”, de Meister Francke (séc. XV)

Thomas Becket (1118-1170), arcebispo de Cantuária, foi assassinado no interior da catedral, por ordem de Henrique II, na sequência de um conflito com a coroa sobre os direitos e privilégios da Igreja. É venerado como mártir tanto pelos católicos como pelos anglicanos.

Aos olhos dele - poema de Florbela Espanca

Florbela Espanca, no Parque dos Poetas, em Oeiras

Aos olhos dele

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

Soneto de Florbela Espanca retirado de "A Mensageira das Violetas"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Melancolia e criação artística

"Melancolia" (clique para ver melhor), do polaco Jacek Malczewski (1854 - 1929)

Porque será que todos os que alcançaram a eminência na filosofia ou na política ou na poesia ou nas artes são claramente melancólicos?

Aristóteles citado na página 76 de "Contra a felicidade. Em defesa da melancolia" (ed. Estrela Polar), de Eric G. Wilson.

A melancolia é o fundamento profano do sagrado

"Melancolia", de Albrecht Durer
(para o significado da imagem, ler aqui)

A melancolia é o fundamento profano a partir do qual desponta o sagrado. A nossa esperança na validade desta alegação é o que mantém a maioria de nós ternamente predispostos para com a tristeza dos outros, por mais indulgentes que eles sejam, e para as sombras do nosso coração, por maior que seja a dor. Temos fé de que o desânimo conduza à afirmação. Se continuarmos a viver sem acolhermos a escuridão, então só nos resta a mais horrenda das situações: o sofrimento não tem significado. Se isto for verdade, é provável que não consigamos persistir. Precisamos de acreditar que a nossa sombra gera a luz. Temos de manter esta posição. Aceitar o que nos é dado, agarrar graciosamente a gravidade das coisas, dizer sim ao ameaçador não.

In "Contra a felicidade. Em defesa da melancolia" (ed. Estrela Polar), de Eric G. Wilson. Pág. 106.

28 de Dezembro de 1986. Morre Andrei Tarkovsky

Andrei Tarkovsky morreu no dia 28 de Dezembro de 1986, em Paris. Nascera a 4 de Abril de 1932, perto de Moscovo.

Cineasta criativo e inovador (formado em Geologia – carreira que logo abandonou), realizou em 1966 o filme “Andrei Rublev”, sobre o pintor de ícones (o da “Trindade” é o mais célebre) e de frescos (os da Catedral da Anunciação, por exemplo, onde recentemente foi eleito o Patriarca de Moscovo).

Irritadiço e muitas vezes angustiado, Tarkovsky deixou uma obra marcada por um profundo sentido espiritual. Outros filmes relevantes:

“A Infância de Ivan” (1961)

“Solaris” (1972)

“Stalker” (1979)

“Nostalgia” (1983)

“Sacrifício” (1986)

O sítio www.nostalghia.com é dedicado ao cineasta.


"Trindade", de Rublev

O mosaico mais célebre da Santa Sofia

A respeito da inauguração da basílica de Santa Sofia, em Constantinopla / Bizâncio / Istambul, faltou dizer muita coisa, mas esta impunha-se (como se impõe a quem nela entra). Está lá este Cristo, em mosaico. Uma das imagens de Jesus Cristo mais reproduzidas.

Para terminar o dia - um textinho de Lutero

Lutero é que devia ser o patrono dos filósofos e teólogos (mas o cargo também está bem atribuído a S. Tomás de Aquino).

"Julgas-te muito conhecedor e deixas que os outros te considerem como tal, deleitas-te com os teus próprios livrinhos, teorias, ou escritos, como se tivesses feito uma grande coisa, ou pregado excelentemente.
Também te agrada muito que os outros te façam lisonjas em público, talvez seja esse o teu maior desejo, de contrário ficarias contristado, ou declinarias o elogio. Se é esta a tua maneira de proceder, mais vale deitares as mãos à cabeça. E com proveito! Encontrarás um lindo par de orelhas de burro, grandes, compridas! Aproveita a oportunidade: enfeita-as com guizos dourados, de forma a que toda a gente te possa ouvir onde quer que vás.
Todos apontarão para ti, dizendo: «Olhai, olhai, ali vai o animal inteligente, que escreve livros importantes e que faz lindas pregações». Então, sim, serás ditoso, serás bem-aventurado no Reino dos Céus. Sim, nessa altura já o fogo do inferno está pronto para o diabo e para os seus anjos".
Lutero, 1539

domingo, 27 de dezembro de 2009

27 de Dezembro de 537. É inaugurada a Santa Sofia, em Constantinopla

A basílica patriarcal de Santa Sofia (ou Santa Sabedoria, “Hagia Sophia”, em grego) foi inaugurada por Justiniano I (que a mandou construir) e o Patriarca Eutico no dia 27 de Dezembro de 537. Foi a terceira igreja cristã construída no local.

Desde 1935 é Museu da República, depois de ter sido mesquita, após a tomada de Constantinopla pelos otomanos, em 1453.

Durante cerca de mil anos, até se concluir a Catedral de Sevilha, em 1520, foi a maior catedral cristã.

Bento Domingues: Mais um Dia Mundial da Paz

“Las aventuras del Niño Jesús”, por Alberto Manguel

O novo livro de Alberto Manguel recolhe textos sobre a infância de Jesus. Intitula-se “Las aventuras del Niño Jesús”.

O escritor argentino naturalizado canadiano, de 61 anos, compila textos que vão do mais ortodoxo, como os dos evangelhos de Lucas e de Mateus, ao mais heterodoxo, como os dos evangelhos apócrifos e gnósticos. Inclui ainda textos de fontes islâmicas, recriações de anónimos do século XV e autores como Jaboco de Vorágine, os irmãos Grimm, Selma Lagerlöf, Giovanni Papini, Ernest Renan, Oscar Wilde o W.H. Auden, entre outros.

“Acreditemos ou não em Cristo, ninguém pode negar a importância que tem no imaginário universal, por isso, quanto mais conhecermos as histórias que foram construídas à volta desse personagem melhor podemos entender a sua importância e o seu peso”, diz o autor ao diário espanhol El Mundo (aqui).

O Menino Jesus surge nos textos islâmicos como profeta perante o qual a natureza se incline, enquanto a literatura europeia medieval o descreve como um pequeno travesso, às vezes perverso, que escandalizaria algum devoto, já que chega a fulminar outras crianças que não querem brincar com ele.

Será que o autor de “Uma História da Leitura” (Presença) e de “Stevenson sob as Palmeiras” (Asa) inclui no seu último livro o “Poema do Menino Jesus”, de Alberto Caeiro / Fernando Pessoa?

Começa assim:

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.

Poema todo aqui.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Tolentino Mendonça e os ritualismos profanos

Na entrevista que o padre e poeta José Tolentino Mendonça dá à revista Ler (n.º 86, Dezembro de 2009), afirma a certa altura que “hoje vivemos religiosamente dimensões que são puramente humanas ou até trivialmente quotidianas”. Carlos Vaz Marques pede-lhe um exemplo. E Tolentino Mendonça afirma: “O exemplo mais claro é o dos movimentos de massas. Por exemplo, o futebol. Ou falar dos centros comerciais como as «catedrais de consumo». Transferiram-se para o horizonte puramente secular as dimensões do religioso e vive-se aí com as mesmas tensões, com a ritualidade… Hoje, as grandes ritualidades são laicas. São integradas nos dinamismos societários. Nesse sentido, importa-me fazer a arqueologia de uma determinada linguagem religiosa e utilizá-la em termos poéticos, como vocabulário, para desconstruir a nossa própria experiência comum”.

O exemplo do futebol já neste blogue foi referido (aqui), mas recupero agora um texto de 2003, de um blogue que em tempos alimentei. Trata-se de um excerto saído no Público de 26 de Setembro de 2003. O jornalista escreve sobre Ricardo Araújo Pereira, nesse tempo ainda não muito conhecido, e a sua religião, o benfiquismo. Entre parênteses rectos, comentários meus. A negrito as declarações do elemento Gato Fedorento.

«A obsessão é vivida sem eufemismos e por vezes assume proporções estranhas: durante um jogo sente o coração a bater nas costas; quando o “Glorioso” [um título messiânico, é claro, para quem só podia jogar na “catedral”] perde, sente que a culpa é dele. “Pelo menos sinto que a culpa também é minha, que não fiz tudo o que estava ao meu alcance para o Benfica poder ganhar [a fé precisa de obras]. É uma coisa quase religiosa. Não sei se tem a ver com a culpabilidade cristã, mas é um sentimento de culpabilidade bastante forte” [agora vai ter de expiar a culpa – um sacrifício]. A comparação religiosa não fica por aqui: quando era pequeno – deveria ter uns seis ou sete anos – o primo levava-o ao estádio [há sempre alguém responsável pela iniciação, um Eli para o Samuel, um João Baptista que aponta o caminho, um profeta, um santo protector], próximo de sua casa, e Ricardo, 29 anos, lembra-se “de subir a Rua dos Soeiros [para chegar a um santuário é sempre necessário subir], olhar para as pessoas e sentir que estava unido a elas [as religiões são sempre coisa de povo, de colectivo, de assembleia]. Suponho que o sentimento era parecido ao que une os peregrinos”[sim, e provavelmente usavam a mesma indumentária: cachecóis, bandeiras como se fossem estandartes de procissões, etc.]».

26 de Dezembro de 1948. Cardeal Mindszenty é preso

Libertação do Cardeal, no dia 30 de Outubro de 1956

Jozsef Mindszenty (1892-1975), cardeal e chefe (bispo da diocese primaz) da Igreja Católica na Hungria, foi preso no dia 26 de Dezembro de 1948 sob acusação de traição e conspiração.

Meses antes iniciara-se a perseguição religiosa neste país do Leste europeu – com oposição pública de Jozsef Mindszenty . O julgamento do cardeal, em 1949, gerou uma onda de indignação pelo mundo, incluindo as Nações Unidas. Mindszenty foi libertado durante a revolução popular de Outubro de 1956 (reprimida pelas tropas soviéticas em Novembro) e viveu exilado na embaixada dos EUA em Budapeste durante 15 anos. Em 1971 pôde deixar o país. Morreu no dia 6 de Maio de 1975, em Viena, Áustria.

Os que julgaram o cardeal foram excomungados por Pio XII. Mais tarde, Paulo VI declarou que Mindszenty fora “vítima da história” (em vez de “do comunismo”) e levantou a excomunhão dos oponentes húngaros. Estes permitiram então que o cardeal abandonasse o país.

Hoje Jozsef Mindszenty é admirado na Hungria, não só por se ter oposto ao regime comunista mas também por, antes do regime comunista, se ter oposto ao nazismo.

Realizaram-se dois filmes com base na vida deste cardeal: Guilty of Treason (1950) e The Prisoner (1955), este último com Alec Guiness.

Anselmo Borges: O que é tempo?

No DN de hoje, o padre e professor de Filosofia Anselmo Borges escreve sobre o “mistério do tempo”.

“Se soubéssemos o que é tempo, também saberíamos o que somos. Santo Agostinho – volta-se sempre a Santo Agostinho quando pretendemos meditar sobre o tempo – pergunta: O que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas, se alguém me puser a questão e eu quiser responder, já não sei”.

“(…) O tempo não é circular, cíclico, nem pode entender-se de modo exclusivamente linear, pois é linear e entrecruzado, numa rede de relações múltiplas e complexas. Cada modo do tempo tem ele próprio tríplice modo, isto é, um presente, um passado e um futuro, entrelaçando-se. O tempo e a história vivem deste entrelaçamento múltiplo, na constante abertura ao futuro.

Precisamente no quadro deste entrelaçamento, na abertura ao futuro, Deus, que é no eterno presente, é pensável como o Futuro absoluto, isto é, o Futuro de todos os passados, presentes e futuros. Deus enquanto Futuro absoluto consuma a história ao mesmo tempo que se abre ao sempre novo”.

Ler tudo aqui (por vezes não está acessível).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Shakespeare era católico?

Há muito que se diz que Shakespeare talvez fosse católico. A mundividência da sua dramaturgia parece católica. Há referências a ritos católicos (mas nessa época os ritos anglicanos ainda não eram muito diferentes dos católicos). Os seus pais eram católicos (o testamento do pai, John Shakespeare, segue um modelo de Carlos Borromeu, cardeal, bispo de Milão). Há uma visão dramática que os especialistas dizem ser católica (o pecado e a graça, a redenção).

Talvez Shakespeare seguisse a “Old Faith” às escondidas, numa época em que não se podia ser papista em Inglaterra. Nas peças, algumas delas tendo como palco a católica Itália, há referências aos sacramentos católicos. Aparecem padres (que na Inglaterra isabelina eram perseguidos). E o fantasma com que Hamlet fala descreve um mundo que os católicos identificariam como sendo o purgatório.

Agora o I (aqui) e o JN (aqui) vêm dizer que durante uns anos o dramaturgo foi peregrino em Itália, deixando o seu nome inscrito, indirectamente, num livro de peregrinos.

Explica o I: O livro a que se refere [o padre Andrew Heaton, vice-reitor do Venerable English College, um seminário romano para sacerdotes católicos ingleses] está assinado em 1585 por um certo Arthurus Stradfordus Wigomniensis. Também há referência a Gulielmus Clerkue Strafordiensis, que deixou a sua marca no livro em 1589, informa o “The Independent”. Ambos os nomes pertenciam, na realidade, a William Shakespeare. Segundo o vice-reitor, o primeiro nome pode decifrar-se como “(O compatriota) do (rei) Artur de Startford (na diocese) de Worcester”.

Mas existe ainda uma terceira menção, de 1587, noutro livro de peregrinos: Shfordus Cestriensis. Segundo Heaton pode querer dizer “Sh(akespeare de Strat)Ford (na diocese de) Chester”.

E o JN acrescenta que estas referências reportam-se a um período de quatro anos em que se desconhece por onde o autor de "Hamlet" terá andado. Shakespeare abandonou a sua Stratford natal em 1585 e reapareceu em 1592 em Londres, onde começou a sua carreira de dramaturgo. "Há vários anos na vida de Shakespeare dos quais nada se sabe", assinalou Heaton, que aponta como mais provável a hipótese de o poeta ter então visitado Roma como católico clandestino.

25 de Dezembro do ano 1000. Fundação do reino da Hungria

No dia 25 de Dezembro do ano 1000, é fundado por Estêvão I (mais tarde canonizado pela Igreja Católica) o reino cristão da Hungria. Julgo que a data não terá sido arbitrária porque, no mesmo dia, mas duzentos anos antes, Carlos Magno foi coroado imperador do Sacro Império Romano, por Leão III, em Roma. No que diz respeito à Hungria, também houve intervenção papal. Silvestre II (Papa de 999 a 1003) enviou de Roma a coroa que hoje se encontra do Parlamento da República da Hungria.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Vem para todos

Afinal, o que sabemos sobre Maria de Nazaré?

A Virgem adorando o Menino Jesus, de Sandro Botticelli

No P2 de hoje ("Público"), António Marujo escreve sobre o que alguns téologos e ensaístas vão dizendo sobre Maria, Jesus e os irmãos. É Natal.


Afinal, o que sabemos sobre Maria de Nazaré?

Teve vários filhos ou só foi mãe de Jesus? Por que foi ela quase divinizada? Permanecem muitos mistérios sobre a vida de Maria de Nazaré. Uma mulher única, cuja história é lida de forma polémica no interior do cristianismo, tendo dado origem a profundas divisões. Ler aqui.

Morreu Schillebeeckx

Morreu Edward Schillebeeckx, ontem, 23 de Dezembro, aos 95 anos. Dominicano, este teólogo belga (nascido em Antuérpia, a 12 de Novembro de 1914) que viveu a maior parte do tempo na Holanda, antecipou a renovação do II Concílio do Vaticano, sendo assessor dos bispos holandeses no Concílio.

Mais tarde foi crítico do Vaticano. Ensinou na Universidade de Nimega até a reforma. O seu livro sobre Jesus (em espanhol, língua em que li alguns capítulos, o título era “Jesús. La historia de um viviente”) mereceu as críticas do Vaticano, melhor, da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1984 (já lá estava Joseph Ratzinger).

24 de Dezembro de 1294. Eleição do Papa Bonifácio VIII

Bonifácio VIII por Giotto

Benedetto Caetani (1235 - 1303) foi eleito Papa no dia 24 de Dezembro, após a abdicação de Celestino V, no dia 13 de Dezembro anterior.

Benedetto Caetani influenciou a abdicação de Celestino V, um humilde monge beneditino (de certa forma lembrando-o, Giovanni Papini publicou as “Cartas aos Homens de Celestino VI”, que obviamente não existiu, mas seria um Papa exemplar), pelo menos sugerindo tal possibilidade, e a seguir foi eleito para a Cadeira de Pedro.

Defensor da supremacia espiritual e temporal dos Papas (acrescentou à tiara papal sua segunda coroa que representa a Ordem, o poder espiritual, uma vez que a primeira coroa já representava a Jurisdição, o poder régio ou temporal), Bonifácio VII viveu conflitos com as principais famílias e reis europeus. Os conflitos com Filipe IV são os mais conhecidos. Filipe IV tentou, sem conseguir, que Bonifácio VIII fosse condenado post mortem.

Bonifácio VIII institui em 1300 o primeiro jubileu cristão por meio da bula Antiquorum fide relatio, o que levou a Roma muitos cristãos e permitiu ao Papa restaurar as basílicas de São Pedro, São João de Latrão e Santa Maria Maior. A partir desse data houve jubileus de meio em meio século.

Este Papa foi patrono de Giotto. Dante, que não gostava dele por causa das concepções papais do poder, coloca-o no Inferno, pelo crime de simonia, apesar de Bonifácio ainda estar vivo na data em que se passa o poema. Boccaccio também o satiriza no Decameron.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A fé é nocturna, como o combate de Jacob, diz Tolentino Mendonça

Fé, luz, noite, poesia e, de caminho, uma explicação para a origem deste blogue, tudo neste excerto da entrevista que Carlos Vaz Marques fez a Tolentino Mendonça para a “Ler” n.º 86 (Dezembro de 2009).


Tolentino Mendonça - O silêncio é um caminho. Não basta, por exemplo, estarmos calados para estar em silêncio. Podemos estar calados e o rumor ser ensurdecedor. Há uma qualidade de silêncio que é uma conquista, que é um processo em que nós entramos.

Carlos Vaz Marques – Talvez esta insistência na noite e no silêncio sirva para explicar uma frase sua na qual dizia que “a fé é um salto no escuro”.

TM - A fé tem a ver com a noite.

CVM – A fé não é diurna, não é luminosa?

TM – Não. A fé é claramente nocturna.

CVM – Mas uma das construções imagéticas mais presentes ao falar da fé é a ideia de “ver a luz”.

TM – Mas a luz só se vê à noite, como as estrelas. As estrelas brilham no céu nocturno. A luz da fé brilha na noite. A fé é um lugar sem certezas. A fé é um lugar de abertura. A fé é uma forma de hospitalidade radical. Para mim, as grandes imagens bíblicas da fé são as da luta de Jacob com o anjo (quando ele, no amanhecer ainda escuro, ao atravessar um riacho, luta com o próprio Deus sem saber que está a lutar com Deus; mas essa imagem do combate nocturno, agónico, um bocado imperceptível mas que nos fere e deixa depois no nosso corpo a ferida, é a imagem mais prodigiosa do que é a fé no Antigo Testamento) e a do percurso que as mulheres fazem de manhãzinha, com o dia ainda muito escuro, a caminho de um sepulcro que encontram vazio. A fé tem necessariamente esse lado nocturno de indagação e de expectativa. A fé é uma expectativa. E é nesse sentido a imagem do salto no escuro.

CVM – A sua poesia é um acto de fé?

TM - A minha poesia é o mapa da minha procura. É o testemunho de que eu busquei. Nem sempre diz o que busco mas diz sempre que eu busquei.

Não parece, mas foi a orelha esquerda que Van Gogh mutilou

Van Gogh fazia os auto-retratos olhando para um espelho. Parecendo que cortou a orelha direita, cortou mesmo a esquerda (ou só o lóbulo, segundo algumas versões). Foi depois de uma discussão com Gaugin. Levou esse bocado seu a Rachel, embrulhado num lenço e acompanhado de um bilhete: "Guarde com cuidado".

23 de Dezembro de 1888. Van Gogh corta a orelha

No dia 23 de Dezembro de 1888, Vicent van Gogh (1853-1890) corta a sua orelha esquerda (talvez só uma parte) e leva-a a uma prostituta. Raquel de seu nome. Quando pintou este quadro, “Pietá” (óleo sobre tela, 73 x 60 cm, no Van Gogh Museum, Amesterdão), em 1889, já só tinha uma orelha.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lázaro - poema de José Régio

Juan de Flandres (1500)

Por damascos e púrpuras de rei
Despi, lá fora, os meus vestidos velhos;
E entre o tumulto, as luzes, os espelhos,
Insólito conviva, me assentei.

Erguendo a taça de cistal, brindei;
Quebrei a taça de cristal nos joelhos...
E apertando nas mãos lírios vermelhos,
Ensaiei risos fúteis e cantei.

Assim vós me julgastes um dos vossos,
E a mesa do festim me recebeu,
E me coroaram de hera em flor os moços.

E, quando toda a orgia adormeceu,
Só eu !, só eu me vi roendo os ossos
Desse banquete que não era meu!

José Régio (17-09-1901 — 22-12-1969)

Richard Dawkins e o bispo de Oxford

Li hoje na “Ler” n.º 86:

Curiosamente, Richard Dawkins, que demonstra sempre, de maneira quase festiva, fervorosa e militante, o seu «orgulho de ser ateu» e a sua sanha contra as religiões, recorre desta vez às autoridades eclesiásticas inglesas, nomeadamente ao antigo bispo de Oxford, para recordar um artigo escrito por ambos, publicado em 2004 no Sunday Times – «Actualmente não há nada a debater. A Evolução é um facto e, na perspectiva cristã, uma das maiores obras de Deus» -, sem contudo deixar de fazer notar que a última oração não é de sua autoria (fim de citação).

É simpática a amizade entre o ateu Dawkins e o bispo anglicano, quando o biólogo tem sido um autêntico apóstolo pela razão, contra a fé. Esta última, sem distinções de correntes e religiões, é sempre considerada por Dawkins como irracional, tendente ao fundamentalismo, viral no mau sentido.

Há muitos vídeos sobre as conversas do cientista com o bispo. Este, longo (34 minutos, em várias partes), deve ser dos mais interessantes.

Segunda parte

Terceira parte

Quarta parte

José Régio morreu há 40 anos

Leio na Agência Ecclesia que José Régio morreu há 40 anos (22 de Dezembro de 1969).

José Régio, de seu verdadeiro nome José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, no longínquo ano de 1901. Passados 24 anos, em 1925 escreveu um livro que assinala a sua revelação como poeta, perante o público e a crítica: "Poemas de Deus e do Diabo". (...) O poeta foi sempre, poeticamente, um insaciável buscador de Deus.

Ler aqui.

22 de Dezembro de 1419. Morre João XXIII, antipapa

João XXIII (Baldassare Cossa) foi antipapa de 1410 a 1415. Parece que também foi corsário em jovem, o que será uma originalidade na carreira eclesiástica. Tinha origens napolitanas e estudou em Bolonha. Morreu no dia 22 de Dezembro de 1419, em Florença, como cardeal, depois de ter reconhecido no ano anterior que Martinho V é que era o verdadeiro Papa (chegou a haver três pretensos papas, um em Roma, outro em Avinhão e outro em Pisa).
Durante séculos discutiu-se a legitimidade deste Papa. Aparecia em algumas listas de historiadores como legítimo. No séc. XX, Giuseppe Roncalli, ao escolher como nome João XXIII encerrou o assunto. Se algumas dúvidas havia, o Papa declarava implicitamente que Baldassare Cossa não entra na lista dos Papas.

"Tele-grama" de Natal, por Pedro José

"Tele-grama" de Natal
O que falta para ser feliz?

Espalhe o Natal.
É mais simples transmitir o bem.
Deixe de lado o auto-engano.
No presente, grávido de mistério (reler Odo Casel),
Deus encarnando-se santificou nossa Carne.
O Natal é a festa do Corpo.
O Corpo de um só Desejo.
Hodie é Natal.
Pequeno, prevenido e fecundo:
tomai, vivei e fazei... viver o Natal...
nas horas da Morte, nas horas de Vida.
Com o Ardor da Ternura!

Pedro José

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Inverno - Poema de Eugénio de Andrade

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,

O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:

Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.


Eugénio de Andrade (1923 –2005)

Clássicos 23 - "A Bíblia tinha Razão", de Werner Keller

[Primeiro parágrafo] “Se traçarmos no mapa uma linha, que, do Egipto até ao Golfo Pérsico, passe pelo Mediterrâneo, pela Palestina e pela Síria, seguindo logo o curso do Tigre e do Eufrates através da Mesopotâmia, resultar-nos-á uma meia lua perfeitamente desenhada”.

A Bíblia Tinha Razão | Werner Keller | Edição Livros do Brasil, sem data | 430 páginas

Escrita por um não especialista e publicada pela primeira vez em 1955 (título original: “Und Die Bibel Hat Doch Recht”), esta obra foi traduzida em três dezenas de línguas, somando mais de 12 milhões de exemplares de tiragem. Embora não seja usada em nenhuma Faculdade de Teologia credenciada, devido ao concordismo histórico-bíblico subjacente (subtítulo: "A verdade histórica da Bíblia demonstrada pela arqueologia"), continua a ser popular em grupos cristãos evangélicos, onde o sentido apologético é mais agudo. Marcou uma época, mesmo entre católicos.

Sobre a Encarnação do Verbo

A explicação do Natal varia de época para época. Há 1700 anos era claro que o Verbo de Deus tinha vindo à terra para acabar com o paganismo. Hoje as percepções são outras. Atanásio de Alexandria (296-373), conterrâneo de Hipátia (370-415), que agora é celebrada no cinema como vítima do cristianismo fanático, escreve sobre a Encarnação do Verbo:

Um rei, mesmo humano, não permite que suas cidades se entreguem a estranhos e se submetam a eles. Adverte os súbditos, envia-lhes mensageiros e, se necessário, vai em pessoa tentar comovê-los: unicamente para evitar que sirvam a senhor alheio e se inutilize a obra sua. Com mais razão, Deus não se apiedaria da criatura a fim de evitar que errasse longe de si e fosse servir a fantasmas inexistentes? Tanto mais que tal erro seria causa de ruína para o ser que um dia participou da imagem de Deus!

Que haveria pois de fazer o Senhor, senão renovar o que era nos homens a divina imagem, a fim de por ela chegarem ao seu conhecimento? Mas como se realizaria isto de outro modo que não pela presença da própria Imagem de Deus, nosso Salvador Jesus Cristo?

Sim, a coisa não seria realizável jamais por homens, pois também foram criados segundo a imagem; nem por anjos, que não são em si mesmos imagens. Veio, pois, o próprio Verbo de Deus, Imagem do Pai, a fim de recriar o homem segundo a divina imagem; e se esta obra não se podia fazer sem destruição, sem a corrupção da morte, convinha que ele assumisse um corpo mortal, para nele destruir a morte e renovar os homens segundo a divina imagem. Com vistas a tal obra nenhum outro se credenciava mais que a própria imagem do Pai .

Se aos poucos se apagou uma efígie impressa na madeira, pelo acumular da pátina exterior, pode acontecer que sua renovação só se torne possível, ali no mesmo material, pela presença do modelo… (…)

Um bom mestre interessa-se pelos alunos, procura descer, com ensinamentos mais simples, aos que não entendem as lições mais difíceis. Assim também faz o Verbo de Deus, conforme Paulo: "Já que o mundo, com a sua sabedoria, não chegou a conhecer a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem".

Como apareceu a "Noite Feliz" - inclui partitura


"Sol – Lá – Sol – Mi. A 24 de Dezembro de 1818, quando o professor de música Franz Gruber pegou na guitarra, as quatro primeiras notas saíram para musicar as palavras que o seu amigo, o jovem pastor Joseph Mohr, acabara de lhe trazer: Stille Nacht. Noite silenciosa, noite tranquila. Heil'ge Nacht! Noite santificada. Ambos estavam longe de imaginar que aqueles primeiros acordes e palavras dariam a volta ao mundo, tornando-se na mais conhecida e mágica melodia de Natal".

No Religionline, a história da mais célebre música de Natal, "Stille Nacht", que em português é conhecida por "Noite Feliz".

Rezar a Avé-Maria faz bem à saúde

Não é o padre que o diz. É o médico. Lido na Notícias Sábado (vem ao sábado com o DN e o JN), na página 12, num canto de página que passa quase despercebido:

Medicina. Respirar como quem reza faz bem à saúde

Rezar a Avé-Maria faz bem e muito para lá de todos os preceitos religiosas e de fé inerentes ao acto. A ciência médica descobriu que o ritmo respiratório a que a métrica da oração obriga - com menos inspirações e expirações por minuto - reduz a frequência cardíaca e baixa a pressão arterial. O cardiologista italiano Luciano Bernardi, que orientou o estudo na Universidade de Pavia, Itália, reforçou outros estudos sobre o efeito da respiração no controlo de várias doenças, da ansiedade à dor crónica ou á hipertensão.

21 de Dezembro de 1933. Morre o Padre Himalaya, grande inventor, pioneiro da ecologia em Portugal


Padre Manuel Himalaya

Manuel António Gomes nasceu em Santiago de Cendufe (Arcos de Valdevez), no dia 9 de Dezembro de 1868, e morreu em Viana do Castelo, no dia 21 de Dezembro de 1933, vítima mielite (bloqueamento dos impulsos nervosos), talvez por auto-envenenamento, uma vez que costumava experimentar em si próprio plantas medicinais. Era vegetariano.

No Seminário de Braga, acrescentou ao seu nome “Himalaya” – no início, uma alcunha posta por um colega devido à sua grande estatura.


Ao Padre Himalaya devem-se duas grandes invenções: o Pireliófero e a Himalayite.


O Pireliófero (“eu trago fogo do sol”) é um aparelho que concentra a energia solar até aos 3500 graus. Servia para fundir metais ou rochas. Na Exposição Universal de São Luís (EUA), o invento obteve duas medalhas de ouro e uma de prata. Com a febre actual pela energia solar, o que faria o Padre Himalaya?


A Himalayite é uma pólvora sem fumo, de baixo custo, resistente ao choque. Chegou a ser usada pelo exército norte-americano.


O Padre Himalaya concebeu ainda um plano para irrigar todo o país, inventou um novo tipo de farinha, e fez modificações em motores.


O sítio Naturlink, num longo artigo, apresenta-o como pioneiro da ecologia em Portugal. Ver aqui.


Pireliófero

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...